Filme que satiriza a vida dos casais é um desastre
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quinta-feira, 20 de setembro de 2001
Milly Lacombe <br> Agência Folha 
O que pode dar errado quando se tem uma boa idéia na cabeça, US$ 90 milhões nas mãos e astros como Warren Beatty, Diane Keaton, Andy MacDowell, Goldie Hawn, Charlton Heston, Gary Shandling e Nastassja Kinski? Pergunte ao diretor Peter Chelsom, 45, e é melhor se sentar para ouvir a resposta: ''Se você queria uma resposta curta, deveria ter me perguntado o que deu certo nesse projeto'', disse em entrevista.
A verdade é que ''Ricos, Bonitos e Infiéis'' (veja programação de cinema na página 5), que satiriza a vida e o relacionamento de casais nova-iorquinos, é uma obra especialíssima. E um fracasso total.
Matematicamente, os motivos do sonoro infortúnio são simples. Custou US$ 90 milhões, ficou cinco anos em produção, teve 13 datas de lançamentos adiadas e faturou apenas US$ 6 milhões. ''Um desastre maior não poderia ter sido planejado'', disse Chelsom.
Mas então de quem é a culpa? Para ele, de todos e de ninguém. ''Quando li o roteiro, vi ali um filme perspicaz, inteligente e que, com o elenco certo, poderia ser um grande sucesso.'' Só que o elenco certo não é necessariamente o mais caro e a briga de egos que se instalou no set, com atores dando palpites e fazendo constantes alterações no script, certamente não ajudou. ''Diane (Keaton) dizia: ''Peter, aproveite, porque você nunca mais vai participar de uma experiência tão ruim como essa'.''
Pior ainda foi Beatty ter convocado a imprensa na estréia para dizer, entre outras coisas, que não tinha nada a ver com ''aquilo''.
Só depois da primeira exibição é que o diretor percebeu de fato que a massa havia desandado. ''Ficaram todos petrificados e só me restou pedir desculpas pelo que haviam acabado de ver nas telas.''
O filme é mesmo ruim? ''Sabe aquele jogo no qual você começa uma frase, um amigo tem que emendar, um outro complementa e assim vai até que se forme uma história? Isso é ''Ricos, Bonitos e Infiéis'', uma obra de partes desconectadas'', explicou, pedindo para que ninguém se atreva a contar os erros de continuidade.


