Disputando espaço com filmes de ação, terror e ficção científica, "Fátima - A História de Um Milagre" está na segunda semana de exibição no Brasil, incluindo algumas salas de cinema de Londrina. O longa-metragem que reconta as aparições de Nossa Senhora a três crianças portuguesas em 1917 traz Sônia Braga como protagonista da produção interpretando a irmã Lucia. Coproduzido entre os Estados Unidos, Itália e Portugal, o filme fala de fé em um momento que o mundo enfrenta diversos episódios de intolerância religiosa.

"Fátima - A História de um Milagre" reconta as aparições de Nossa Senhora a três crianças portuguesas em 1917
"Fátima - A História de um Milagre" reconta as aparições de Nossa Senhora a três crianças portuguesas em 1917 | Foto: Divulgação

“Fátima – A História de um Milagre” é dirigido pelo cineasta Marco Pontecorvo, que durante anos trabalhou como diretor de fotografia de várias produções, incluindo a série “Game of Thrones”. Além de Sônia Braga, o elenco conta com atuações da jovem atriz espanhola Stephanie Gil, do ator norte-americano Harvey Keitel e do português Joaquim de Almeida, entre outros. A trilha sonora é assinada pelo cantor italiano Andrea Bocelli, que compôs uma música especialmente para a trama que é narrada em língua inglesa.

O filme relembra a história dos pequenos pastores Lucia (Stephanie Gil), Jacinta (Alejandra Howard) e Francisco (Jorge Lamelas), que contaram ter visto Nossa Senhora enquanto trabalhavam nos arredores de sua aldeia, em Portugal. O roteiro é focado uma conversa entre o Professor Nichols (Harvey Keitel) e a Irmã Lucia, que na fase adulta é vivida por Sônia Braga. O acadêmico se aprofunda na experiência vivida pela religiosa com o objetivo de escrever um livro sobre profetas.

É através do bate-papo entre os dois personagens que a freira narra em primeira pessoa como foram as aparições de Nossa Senhora presenciadas por ela. O longa mostra ainda que na ocasião muitos duvidavam da veracidade dos testemunhos das crianças, enquanto outros partiam em peregrinação ao local na esperança de presenciar um milagre em um mundo que era assombrado pela Primeira Guerra Mundial. Conhecidos como Pastorinhos de Fátima, os meninos começam a enfrentar as consequências dos relatos.

Padre Manuel Joaquim dos Santos fala sobre os pastores e a história de Fátima: "As crianças sofreram muito, não por oposição da Igreja, mas sim pela oposição do poder político da época"
Padre Manuel Joaquim dos Santos fala sobre os pastores e a história de Fátima: "As crianças sofreram muito, não por oposição da Igreja, mas sim pela oposição do poder político da época" | Foto: Acervo pessoal

Nascido em Portugal e radicado em Londrina desde 1987, o padre Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos acha que o filme foi fiel às memórias de Lurdes, protagonista do longa. “O filme foi realista primeiro porque faz um retrato muito concreto da situação política da República Portuguesa em 1917. Por outro lado, aparece uma oposição da Igreja na pessoa do bispo em relação às aparições. As crianças sofreram muito, não por oposição da Igreja, mas sim pela oposição do poder político da época. A Igreja demorou cerca de 35 anos para vir a público dizer que as aparições eram dignas de fé pois é bastante criteriosa na investigação deste tipo de fenômeno”, defende.

O padre ressalta ainda que as mensagens que as crianças narraram ter recebido de Nossa Senhora há mais de um século continuam atuais, o que justifica mais uma refilmagem dos milagres ocorridos em Portugal. “É uma mensagem de amor, de respeito, de fraternidade que foi transmitida com o objetivo de evitar a Segunda Guerra Mundial, que infelizmente acabou acontecendo algum tempo depois. Acredito que sejam sinais que Deus emite mostrando que quando os homens querem eles conseguem evitar uma guerra, conseguem inventar uma vacina, conseguem trilhar um caminho melhor, mais humano. E essa é teologia do Papa Francisco hoje, uma fé na capacidade que o próprio homem tem de construir uma história diferente”, enfatiza.

Padre Manuel Joaquim ressalta que apesar de nenhum católico ser obrigado a acreditar nas aparições retratadas no filme, as mensagens mostradas são universais e não pregam nada diferente do que diz o Evangelho.

Coordenador do Laboratório de Estudos sobre Religiões e Religiosidades da Universidade Estadual de Londrina, Fábio Lanza afirma que todo produto religioso ou que busca inserção no mercado de bens simbólicos traz mensagens explícitas e outras subliminares-ocultas.

“A edição e publicação de um filme religioso, já o coloca em evidência dentro da mídia social a religião específica em que está vinculado. Dessa forma, podemos afirmar que não há sistemas religiosos, bens simbólicos ou discursos religiosos neutros, que estejam numa estratosfera distante da sociedade em que está inserido. Assim para estudar o filme Fátima é necessário explicitar que as religiões, suas lideranças, seus adeptos ou seus co-promotores estão imersos em um contexto social, político, econômico em que se relacionam ou atuam de forma direta ou indireta”, argumenta Lanza, que atua como professor associado do Departamento de Ciências Sociais da UEL.

...

Receba nossas notícias direto no seu celular, envie, também, suas fotos para a seção 'A cidade fala'. Adicione o WhatsApp da FOLHA por meio do número (43) 99869-0068 ou pelo link wa.me/message/6WMTNSJARGMLL1.