Filme mostra pecados nacionais
Filme mostra pecados nacionais
Zeca Corrêa Leite
Típico da cultura nacional que se vangloria dos pecadilhos, como se tirar proveito do outro levasse realmente a algum caminho, o filme Alô?, escrito e dirigido por Mara Mourão, terá pré-estréia hoje, às 19 horas, na Sala P do Estação Plaza Show. Será a última atração do Fest Cine Vídeo de Curitiba, antes da entrega dos prêmios aos melhores classificados.
O filme satiriza o comportamento do brasileiro e sua moral flexível. No elenco estão Betty Lago, Myrian Muniz, Herbert Richers Jr. e Wellington Nogueira. A música foi composta pelos irmãos londrinenses Arrigo e Paulo Barnabé, numa mistura de ritmos nacionais e latinos.
Outros nomes constam do elenco, como coadjuvantes. Entre eles estão Carlos Careqa, Marcio Ribeiro, Zé Rodrix, Ingrid Guimarães, Gisele Zelauy.
Tudo se passa num único dia na cidade de São Paulo, envolvendo quatro personagens. Dora (Betty Lago), dona de uma butique que vive copiando modelitos da concorrência e troca etiquetas nacionais por internacionais, compra de José (Wellington Nogueira) uma porção de orégano como se fosse especiaria importada para emagrecer.
Maria, empregada doméstica e irmã de José, trabalha para Dora e seu marido Mario Augusto (Herbert Richers Jr.), empresário do ramo imobiliário que precisa revender um terreno que não passa de um pântano. A empregada não fica atrás nas tramóias: cobra comissões do tintureiro, do padeiro, do açougueiro e tantos quantos passarem por seu caminho.
Assim como no poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, também aqui um fio invisível liga um personagem ao outro. Se o poeta escreveu sobre amores contrariados, em que um gosta do outro sem ser correspondido, a quadrilha aqui é outra. Todos estão amarrados pela falta de caráter e por algumas consequências advindas de seus atos.
Maria, sem saber, anotou um endereço num bilhete de loteria de José, e o papel vai parar nas mãos de Mario Augusto, cuja mulher descobre em sua própria casa que o falsário de ervas medicinais é irmão da empregada. O salafrário foge com a intenção de botar as mãos no empresário que a esta altura está dentro de um ônibus, onde seu celular foi transformado em orelhão. Os passageiros disputam lugar na fila para usá-lo. No final todos vão se encontrar.
O filme foi rodado ano passado e segundo o cronograma o lançamento oficial deverá ocorrer em agosto. A comédia sobre jeitinho brasileiro, como define a diretora, comemora a volta às telas da atriz Myrian Muniz. Afastada dos sets de filmagens há vários anos, atuou pela última vez no teatro em Porca Miséria.





