Filme faz espectador torcer por foras da lei
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Rodolfo Lucena <br> <br> Folhapress 
São Paulo - Jack Bondurant tem uma história para contar e vai fazê-lo à moda do interior, sem atropelos, dando tempo para que o público possa conhecer lugar, personagens, trama.
Apesar de caçula e aparentemente mais fraco que seus irmãos, a dureza da vida exige que ele cresça e honre o nome Bondurant, respeitado no condado de Franklin, Virgínia. São honestos, mas violentos; trabalhadores, mas dedicados a atividades ilegais - como boa parte dos moradores da região, fabricantes clandestinos de bebida durante a Lei Seca.
Diz a lenda que são indestrutíveis - Howard (Jason Clarke), o mais velho, sobreviveu à Primeira Guerra; Forrest (Tom Hardy), o mais calado e líder do grupo, venceu a Gripe Espanhola. Jack era apenas Jack (Shia LaBeouf).
Mas foi ele que, ambicioso, expandiu os negócios da família, a única que não cedeu à violência corrupta do agente Charlie Rakes (Guy Pearce), de Chicago, que tenta impor sua vontade a ferro e fogo.
De narrador, Jack vira personagem, e tudo muda: a história lhe foge às rédeas. Ganha vida, emoção, violência, sangue, um pouco de romance, uma pitada de sexo. O espectador se vê torcendo pelos foras da lei, que enfrentam corruptos pervertidos pelo poder.
Apesar de implacáveis, os Bondurant não são gângsteres da cidade grande. Ao contrário: no mundo rural, tentam sobreviver em uma era de incertezas, fazendo o que é possível, ainda que fora da lei.
No meio de tudo isso, Jack ainda encontra tempo para romance, e o filme ganha tons líricos, pastorais - um jovem casal no carro em alta velocidade, ao lado de campos verdejantes e cavalos em disparada, lembrando propaganda.
No fim, é apenas uma história de família, livremente baseada em fatos reais - foto dos Bondurant de verdade aparece em cena. ''Alguns eventos não passam de rumores ou mesmo mitos, folclore do clã'', diz o neto de Jack, Matt Bondurant, autor do livro em que o filme se baseia.


