Filme desperta discussões e muitas leituras
Por que o medo da igreja católica com as polêmicas do livro e filme?
Alcides Goya, católico praticante, membro da Opus Dei, não leu o livro e assistiu ao filme
Eu acredito que seja porque nega a essência do cristianismo, principalmente da Igreja Católica, que acredita que Cristo é Deus e Homem ao mesmo tempo, que é o verdadeiro filho de Deus. Então se o filme e o livro trazem dúvidas quanto à divindade de Cristo, então é claro que a igreja vai aconselhar seus fiéis a ignoarar os dois produtos.
Thiago Paes de Menezes, católico praticante, leu o livro e assistiu ao filme
Não é o primeiro filme que ataca a religião em si. Há algum tempo atrás foram exibidos ''A Última Tentação de Cristo'' e a ''A Paixão de Cristo'', que deixaram as pessoas chocadas. Este novo filme segue um padrão mercadológico: ataca uma instituição, cria uma teoria da conspiração e tem um elenco que pode ser vinculado em qualquer tipo de obra, que é o vilão, o mocinho e a mocinha. A igreja também vai criticar tudo que a ataca e que não corresponde a um princípio real.
Walmor Macarini, jornalista, não tem religião definida mas se considera cristão, leu o livro e assistiu ao filme..
O filme ataca a Igreja Católica. Com relação à suposta ligação amorosa entre Jesus e Madalena, não é Dan Browm que revela. Isso já está escrito por aí em livros apócrifos e em publicações mais recentes. Eu acredito que Jesus precisava comer, beber, dormir, tinha cansaço físico, então ele também podia sentir atração por uma mulher, já que era um homem aqui na Terra. A Igreja se revoltou, porque as obras artísticas mostram uma parte da história que os católicos desconhecem: o suposto casamento de Jesus, sua suposta filha, a expulsão de Madalena. A Igreja preserva seus dogmas e o filme tenta desmoronar tudo isso.
O que você deduz que seja o Santo Graal?
Alcides Goya Eu acredito que no filme fica demonstrada uma mistura de mito com a realidade. O Santo Graal tende mais a ser um mito, agora os Evangelhos, são mais reais, do ponto de vista histórico.
Thiago Paes de Menezes Ele pode ser um simbolismo vinculado à própria Igreja, assim como outros símbolos, como a cruz. O cálice simboliza o último contato de Cristo com os apóstolos, que baseia todo milagre da transubstanciação a passagem do vinho para o sangue, do pão para a carne. A maneira como o filme coloca é uma interpretação do que seria o cálice e, na minha opinião, seria um simbolismo voltado à propria ceia. O filme até comenta que é tudo possível, porque são teorias. E teorias conspiratórias.
Walmor Macarini Eu acho que o Santo Graal é a exaltação do vaso feminino, que gera a vida, o que não quer dizer que seja uma conclusão exata. Também seriam os segredos guardados pela Igreja. A biblioteca do Vaticano tem coisas que nunca foram reveladas, a não ser para os papas. Algum segredo existe. A Igreja nunca aceitou que uma mulher pudesse ser a continuadora dos ministérios de Jesus, porque a mulher sempre foi abominável, sobretudo naquele tempo.
Você gostou ou não do filme? Por quê?
Alcides Goya Não gostei. Primeiro, do ponto de vista técnico, eu achei muito cansativo, principalmente para um jovem assistir. São muitos dados, é muito difícil você acompanhar a história. Quanto ao enredo, eu discordo totalmente porque confunde a realidade com mito, exagera muitas coisas, distorce algumas realidades, por exemplo, a Prelazia do Opus Dei. Para mim, esse termo tem um peso muito grande de coração, pois expressa mais ou menos aquilo que é o Opus Dei, uma Prelazia Pessoal, uma figura jurídica importante na estrutura da Igreja Católica e na obra cinematográfica é colocado de uma maneira muito depreciativa, isso desagrada bastante qualquer pessoa que seja do Opus Dei. E depois, eu acho que fica muito manchada a Igreja como um todo, porque o filme mostra todas as autoridades da Igreja fazendo aquele complô. Mas eu esperava que o filme fosse pior, pois houve muita especulação em torno dele, um marketing violento. Muita gente vem por curiosidade, pois você fica ''in'' se assistir ao filme, e ''out'' se não assisti-lo. Eu vim esperando um filmaço, pelo menos do ponto de vista humano.
Thiago Paes de Menezes Eu não gostei, primeiro porque ele segue aquele padrão de filme americano baseado em três pilares: elenco famoso, com os personagens definidos entre o vilão e o mocinho. Segundo, é uma teoria da conspiração manjada e ataca uma instituição. Eu sou totalmente contrário a visão de que a Igreja é culpada. É muito simples falar isso. Eu acredito que um carro não mata ninguém, quem mata é o motorista. A Igreja, historicamente é colocada como vilã em alguns momentos, mas ninguém valoriza que foi ela que unificou a sociedade dividida, em toda época medieval e moderna, pela fé. É um filme que tem todas as características para gerar dinheiro. É um filme enjoativo, a parte de edição foi muito fraca. É um filme que apela mais para o sensacionalismo, pois mostra muito mais o cara se autoflagelando do que discutindo, por exemplo, a questão da Maria Madalena. Eu só recomendo às pessoas que desejam assistir ao filme que não se envolvam muito e tentem ser críticas.
Walmor Macarini O conteúdo do filme não me agradou muito, assim como do livro. O Dan Brown não revela nada. O que ocorre é que a Igreja nunca esclareceu aos seus fiéis alguns mistérios que a própria Bíblia encerra. Então surge um autor como esse e entra um pouco nessa coisa do mistério. Muitos que leram o livro mudaram suas opiniões, pela fragilidade da fé. Para mim não mudou nada, porque já tenho crenças consolidadas. É uma bela trama policial, muito bem contada, de fazer inveja à Aghata Christie. No final eu acho que sobra isso: não importa pra mim se Jesus foi casado ou não, mas seus exemplos e palavras. Quem tiver ouvidos para ouvir que ouça. Jesus falou coisas muito importantes, é só prestar atenção.





