O Brasil está de volta à competição do Festival de Cannes com ‘‘Estorvo’’, dirigido por Ruy Guerra
Arquivo FolhaRuy Guerra leva ‘‘Estorvo’’ a Cannes: filme baseado em livro de Chico Buarque concorre com outros 22 longas-metragens

Carlos Eduardo Lourenço Jorge
De Londrina
Especial para Folha2

‘‘Estorvo’’, dirigido por Ruy Guerra a partir de novela de Chico Buarque de Holanda, é um dos 23 longas-metragens selecionados para a mostra competitiva do 53º Festival de Cannes, de 10 a 21 de maio. Dois anos depois de ‘‘Coração Iluminado’’, de Hector Babenco, o Brasil está de volta à principal vitrine do cinema mundial. Falando ontem à Folha por telefone, de sua casa no Rio, o diretor Ruy Guerra disse que ‘‘a seleção do filme para o mais importante festival do mundo é o reconhecimento a um cinema que luta contra todas as dificuldades’’. Segundo ele, ‘‘quando há um mínimo de condições é possível trabalhar e obter este reconhecimento internacional’’.
Além de ‘‘Estorvo’’ - que é uma co-produção com Cuba e Portugal, outros três filmes brasileiros foram selecionados para Cannes. O curta-metragem ‘‘3 Minutos’’, de Ana Luiza Azevedo, vai competir na categoria. O longa ‘‘Eu, Tu, Eles’’, de Andrucha Waddington, está na seção ‘‘Un Certain Regard’’, e o curta ‘‘De Janela Pro Cinema’’, de Quiá Rodrigues, participa da Cinefondation, que reconhece trabalhos realizados por institutos, escolas e fundações de cinema e televisão.
A programação de Cannes-2000 foi anunciada em entrevista coletiva comandada pelo delegado-geral do Festival, Gilles Jacob. Segundo ele, a fórmula pretendida foi buscar o ‘‘equilíbrio entre o prestígio e a confirmação, entre assinaturas e cineastas que realizaram menos de 5 filmes; um equilíbrio entre filmes clássicos e modernos, de época e de gênero, filmes em que a solidez está no roteiro, nos diálogos, nos atores e outros em que se impõe a direção. Além dos filmes, foram anunciados os júris oficiais de premiação, as homenagens e as novidades para a edição deste ano. Entre elas, a inauguração da sala ‘‘Luis Buñuel’’, e uma retrospectiva de ficção-científica,
‘‘Le Cinema Rêve le Futur’’, com 33 títulos indispensáveis.
Entre os nomes selecionados para a seleção oficial estão ainda Lars von Trier (desde já polêmico pela negação aos princípios do Dogma), Nagisa Oshima (com um drama de samurais, Joel Coen e uma comédia de época, a revelação iraniana Samira Makhmalbaf, o inglês Ken Loach em experiência norte-americana, o ‘‘indie’’ Neil Labute, o veterano James Ivory, o sempre surpreendente Wong Kar-wai (homenageando Douglas Sirk e o melodrama), a sempre bergmaniana Liv Ullmann e um realizador japonês de safra exclusiva para iniciados: Shinji Aoyama, que deve sacudir Cannes com ‘‘Eureka’’, com 3 horas e 37 minutos.

mockup