São Paulo, 29 (AE) - "São Jerônimo", de Júlio Bressane
será o representante brasileiro na 56.ª edição do Festival de Veneza, que se inicia no dia 1.º de setembro. O longa-metragem participará da mostra Novos Territórios, fora de concurso. "Não esperava essa indicação", disse o cineasta à reportagem. "Só posso atribuí-la ao bom desempenho do meu filme anterior, "Miramar", no mesmo festival, dois anos atrás". O diretor carioca afirma ter recebido carta pessoal do novo diretor da mostra, Alberto Barbera, dizendo que seu filme tinha sido disputado por várias mostras. Acabou-se optando pelo segmento Novos Territórios, que privilegia o experimentalismo. Renata de Almeida e Leon Cakoff também participam do festival com documentário em curta-metragem "Volte Sempre, Abbas".
Na coletiva de imprensa em Roma, a organização do festival anunciou 17 dos 18 filmes que estarão na mostra competitiva. O título do último será divulgado nos próximos dias. São eles: "Tydzien Zycia Mezczyzny" (Uma Semana na Vida de um Homem), de Jerzy Stuhr, da Polônia; "Rien à Faire", de Marion Vernoux, da França; "Nordrand", de Barbara Albert, da áustria; "Topsy Turvy", de Mike Leigh da Grã-Bretanha; "Une Liason Pornographique", de Frederic Fonteyne, da França e Bélgica; "Holy Smoke", de Jane Campion, dos Estados Unidos; "Pas de Scandale", de Benoit Jacquot, da França; "Appassionate", de Tonino De Bernardi, da Itália; "Gojitmal" (Mentiras), de Jang Sun Woo, da Coréia do Sul; "Le Vent nous Emportera", de Abbas Kiarostami, do Irã; "Not one Less", de Zhang Yimou, da China; "The Cider House Rules", de Lasse Hallstrom, dos Estados Unidos; "Mal", de Albeto Seixas Santos, de Portugal; "A Domani", de Gianni Zanasi, da Itália; "Crazy Alabama", de Antonio Banderas, dos Estados Unidos; "Le Vent de la Nuit", de Philippe Garrel, da França; e "Jesus Son", de Alison MacLean, dos Estados Unidos.
Em princípio, em vista dessa seleção, pode-se dizer que Veneza, sob nova direção, ensaia uma mudança de curso em relação à gestão anterior. É um festival de tradição, que costuma apostar no cinema de autoria, mas vinha, nos últimos anos, apresentando uma tendência a popularizar-se, no mau sentido do termo. Isso, curvar-se ao mainstrean mundial, representado pelo cinema comercial norte-americano. Barbera parece, agora, querer dar vez a cinematografias não-hegemônicas e a novas linguagens. Resta ver se a qualidade estará presente, ao lado da inovação, o que é sempre uma questão em aberto. Veneza aposta no novo, mas nem por isso deixa de lado o cinema de autor já consagrado, como são os casos do iraniano Kiarostami, do britânico Mike Leigh e do chinês Zhang Yimou. Há grande curiosidade, também, sobre o filme de estréia de Antonio Banderas, "Crazy Alabama", uma produção norte-americana. Banderas, como se sabe, foi ator preferido de Pedro Almodóvar, fez carreira em Hollywood e mostra agora sua primeira experiência atrás das câmeras.
Julio Bressane acha que, visto em conjunto e não apenas em sua mostra competitiva, o Festival de Veneza, de fato, procura aproximar-se do cinema chamado independente. Segundo o cineasta, a mostra italiana é a única que ainda procura manter-se antenada com a produção alternativa que se faz no resto do mundo. A comissão confirmou que a abertura solene será com o último filme de Stanley Kubrick, "De Olhos Bem Fechados". Martin Scorsese encerrará o festival, dia 11, com a primeira parte de seu documentário "Il Dolce Cinema", sobre o cinema italiano. Dia 5, haverá uma atração extra no Lido veneziano: o lançamento do novo Woody Allen, "Sweet and Lowdown". Allen, avesso a badalações, não confirmou ainda sua presença na cidade italiana. O ator e diretor norte-americano Jerry Lewis receberá um Leão de Ouro pelo conjunto da carreira.

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