Filme de guerra, à moda Tarantino
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quarta-feira, 20 de maio de 2009
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> De Cannes, especial para a Folha 2 
Suspense, corre-corre, esperança da volta por cima com a revelação de novo rasgo de inventividade como foi a estréia com ''Tempo de Violência'' em 1994. No entanto, este ''Inglorius Basterds'' deve sair da mostra de mãos abanando. Não porque seja um filme desprezível, isento de qualidades, mas porque é um filme que não oferece nada de novo, nenhuma contribuição efetiva ao cinema embora se fale muito de cinema durante seus 150 minutos.
Uma vez mais Quentin Tarantino reforça a idéia que se tem dele: a de que é tão somente um rato de cinemateca, alguém que faz filmes apenas para ser fonte referencial, mostrar que já viu milhares de imagens (especialmente de ação) e que pode reciclar, reinventar (?), liquidificar, fazer enfim o que quiser com os chamados filmes de gênero, por mera curtição. Como entretenimento é até bem passável, mas fica devendo consideravelmente a quem cobrar dele uma contribuição artística sólida ao cinema.
Os bastardos a que ele se refere no título formam um grupo de judeus americanos com a missão de liquidar o maior número de nazistas na França ocupada. Quem lidera é Aldo, o Apache (Brad Pitt). Em meio às missões, eles se deparam com jovem judia francesa dona de um cinema e cabeça do plano para matar Hitler. Onde ? Dentro de um cinema parisiense...
As referências e homenagens cinéfilas estão por toda parte. Tarantino brinca com o público, convida para jogar. Mas nem todos sabem as regras da diversão dele, e o jogo para as grandes platéias corre o risco de ficar chato. Na hora da coletiva, mais um atropelo, sala lotada além da capacidade, tudo por um lugar para ver o diretor e principalmente Pitt.
Comédia intrigante
Um público perplexo, diante da mais recente obra de Alain Resnais (Medos Públicos em Lugares Privados, exibido ano passado em Londrina), a comédia ''Les Herbes Folles''. O diretor, 86 anos, lenda viva e autor da vertente mais intelectualizada do cinema francês, está de volta à competição do Festival de Cannes depois de 30 anos - sua participação anterior foi com ''Meu Tio da América'', Grande Prêmio do Júri.
Filme intrigante, é a história de um estranho encontro. Mulher (Sabine Azéma, fetiche do cineasta) tem a bolsa roubada na rua. Homem (André Dussiler, idem) encontra a carteira dela jogada pelo ladrão. Ele, cinquentão, com o ar burguês de pai de família, se interessa pela foto dela numa licença para pilotar.
Agora esses dois desconhecidos vão se aproximar, se inquietar, se envolver. A palavra que pode definir o filme é o desejo, mas não apenas o sexual. O desejo de tudo, do outro, do amor, do trabalho, de viajar, de se levantar pela manhã. Resnais nos diz, de certa forma, que somos como ervas loucas, a vegetação selvagem do título, que nasce e cresce não importa como ou onde, mas sempre com vitalidade e prazer.


