Filme de ação movido a pipoca
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quarta-feira, 04 de junho de 1997
Carlos Eduardo Lourenço Jorge Especial para a Folha2 
DivulgaçãoNicolas Cage, em Con Air - A Rota da FugaQue relação existe entre A Rocha, Maré Vermelha, Um Tira da Pesada(1 e 2), Top Gun e Flashdance? Um nome de peso nos bastidores: o produtor Jerry Bruckheimer, descobridor de talentos, farejador de sucessos e - surpresa ! - admirador incondicional do grande David Lean (Dr. Jivago, Lawrence da Arábia, A Filha de Ryan). Com Con Air - A Rota da Fuga (veja a programação de cinema na página 4), Bruckheimer retoma sua velha receita de filmes de sucesso movidos a pipoca, os pop-corn movies: uma história quente, rápida, ágil, em geral inspirada vagamente em alguma notícia real de jornal popular e ilustrada por personagens bem trabalhados; um diretor jovem (é o primeiro longa-metragem do garotão Simon West, um publicitário inglês); muita ação e muitos efeitos especiais. E, é claro, tudo conduzido por atores-vedetes.
A cada ano, cerca de 150 mil prisioneiros são transportados por aviões especiais pelos céus dos Estados Unidos. O dado é verídico. Numa dessas viagens, eis que surge Cyrus, aliás O Vírus, uma espécie de gênio do crime responsável pela morte de mais pessoas do que o câncer e a Aids juntos. É ele quem assume o avião com todos os passageiros, inclusive um pobre Nicolas Cage, a caminho de reencontrar sua mulher e uma descendência que ele ainda não conhece.
Engenhoca diabólicaRodado em Los Angeles e Las Vegas a um custo de US$ 70 milhões em boa parte bancados pela Buena Vista, uma subsidiária da Disney, o filme que tem estréia mundial neste final de semana é um típico exemplar da política do produtor, com certeza a mais eficiente na sustentação da indústria cinematográfica americana. West dirige, mas na verdade quem comanda o show é Bruckheimer.
Foi ele, entre outras proezas, quem obteve consentimento das autoridades municipais de Las Vegas para que um avião C 123 se espatifasse na rua principal da cidade. A sequência foi supervisionada por um dos melhores stunts (dublês) de Hollywood, que ainda na ocasião utilizou uma engenhoca diabólica inventada por ele mesmo: uma espécie de desacelerador que vai de 100 a 0 k/h em dois décimos de segundo, já utilizado na queda de Bruce Willis em Duro de Matar e com Malkovich caindo na cena do elevador em Na Linha de Fogo.


