Filme de ação banal
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de fevereiro de 2002
Carlos Eduardo Lourenço Jorge Especial para a Folha 2 
Prevista para 5 de outubro, a estréia americana de Efeito Colateral foi suspensa pela Warner por razões óbvias. A WB também recolheu toda a milionária campanha de marketing que já havia sido desencadeado e aguardou até que a ultima lágrima tivesse sido derramada e que nenhum sinal de fumaça saísse dos escombros do WTC. Mas mesmo agora, quase cinco meses depois dos ataques terroristas, o lançamento nos Estados Unidos não vai além de 2.700 salas - número que não caracteriza candidatos a blockbuster - e não ganhou estardalhaço na mídia. E no Brasil o filme chega nesta semana carnavalesca, tradicionalmente período em que as distribuidoras não costumam gastar sua melhor munição.
Ladeira abaixo como Stallone, embora em velocidade mais controlada, Arnold Schwarzenneger comanda este drama de ação ambientada parte nos EUA e parte na América Latina. Scharzzie é o bombeiro Gordy Brewer, que ao voltar um dia para casa testemunha a morte da mulher e do filho como efeito colateral: na verdade, o alvo do terrorista colombiano The Wolf / El Lobo eram agentes da CIA e membros do consulado da Colômbia. Quando o bombeiro desconfia que a investigação oficial sobre o atentado emperra, ele sai por conta e risco à cata dos terroristas, primeiro nas selvas da Colômbia (locações mexicanas), onde acontece de tudo, e mais tarde de volta a Washington, onde o terrorista prepara novo ataque.
Andrew Davis, que fez uma convincente versão para o cinema do drama televisivo O Fugitivo - e há momentos em que Collateral Damage lembra a louca aventura do Dr.Richard Kimble -, segura como pode o fraco roteiro, mas um filme de ação banal vai ser sempre um filme de ação banal, não importa quanto se gaste ou que coincidências possa ter com a vida real. Talvez a idade tenha dado certo peso dramático à atuação de Schwarzenegger, como se nota, com abrandado juízo de valor, no momento da morte da família do personagem. Mas sempre há aquilo que incomoda de fato, como as presenças inúteis de grandes atores como John Turturro (fetiche dos irmãoes Cohen) e John Leguizamo (o Lautrec de Moulin Rouge), ou a velha e puída anedota do vilão morto que não fica morto.


