Filme contrasta prazeres com ideais luteranos
A Festa de Babette, de 1987, de Gabriel Axel, recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O filme dinamarquês é uma das mais bem realizadas transposições da literatura para as telas e foi baseado num conto da baronesa e escritora Karen Blixen (1885-1962), que assinou a maioria de seus livros sob a proteção do pseudônimo Isak Dinesen. A história apresenta o contraste entre os prazeres sensuais e os ideais luteranos de pureza espiritual de duas irmãs beatas, Martina (Birgitte Federspiel) e Filippa (Bodil Kjer), que vivem para reverenciar a memória do pai, pastor luterano e visionário.
Em 1856, em Jutland, num vilarejo na costa do mar do Norte, na Dinamarca, as irmãs se dedicam às obras de caridade e mantêm o hábito de reunir fiéis em sua casa para orações. Fugindo da repressão da Comuna de Paris, Babette (Stéphane Audran) chega numa noite de tempestade à localidade e modifica completamente a vida dos habitantes. Sem moradia, ela se oferece para trabalhar como serviçal em troca de casa e comida na casa das beatas.
Depois de 14 anos de dedicação, Babette ganha na loteria uma pequena fortuna e decide aplicá-la preparando um luxuoso banquete francês para comemorar o centenário de nascimento do pastor luterano, gastando todo o valor do prêmio. Ao mostrar o banquete, Gabriel Axel retrata uma artista em ação, colocando em choque a arte culinária e a fé dos pacatos habitantes do vilarejo. (F.F.)





