Filme alemão conta história de terrorista da Fração Vermelha
Berlim, 17 (AE) - Dez anos depois da queda do Muro, o cineasta alemão Volker Schlondorf conta no filme "A História de Rita"o que aconteceu com os terroristas da Fração Armada Vermelha, formada por jovens esquerdistas do lado ocidental que, arrependidos ou decepcionados, decidiram levar uma vida normal. É o caso de Rita Vogt, colocada pela polícia secreta alemã, a Stasi, na antiga Alemanha comunista, onde vivia com outra identidade.
Descoberto seu passado, é obrigada a mudar novamente de identidade. Em outra outra cidade e com outro nome, ela se apaixona por um russo, mas não pode deixar a Alemanha, por exigência da Stasi. Quando cai o Muro, a propria Stasi trai a terrorista e a entrega para os alemães ocidentais. Ao tentar transpor uma barreira, é morta por policiais.
Esse filme sobre o antigo "lado comunista", de onde todos sonhavam sair, o que surpreendia a esquerdista Rita, é o primeiro exercício sério da Alemanha reunificada para compreender seu passado e o que ocorria no setor comunista. A ex-terrorista inspiradora do filme, Inge Viett, presa e condenada a alguns anos de prisão depois da queda do Muro, autora do livro autobiográfico "Nunca Tive Medo", está processando Schlondorf. Ela não concorda com a versão apresentada. Embora Scholondorf tenha comprado os direitos do livro, se defende dizendo ter feito um filme de ficção Agência Estado - Como foi a pesquisa para esse filme? Volker Schlondorf - Eu sabia só o que havia sido publicado nos jornais, mas quando começaram os processos contra os ex-terroristas, comecei a fazer pesquisas. Com o autor do roteiro, Wolfgang Kohlhase, encontrei pessoas envolvidas enquanto a personagem do filme ia sendo julgada. Falei também com dirigentes da antiga polícia secreta, responsáveis pelas ex-terroristas. No começo ninguém se interessava por esse projeto de filme. Nem os terroristas, nem a Alemanha comunista eram considerados temas populares para um filme. Até se abrirem as portas para a produção, não por grandes estúdios, mas pela televisão. É uma pena que a pessoa tratada não se reconheça, mas para nós era importante tratar da atmosfera que havia aqui na Alemanha, naquela epoca. AE - Parece que o filme deveria ter ido para Cannes, em lugar de Berlim, é isso? Schlondorf - Eu achei, porém, que esse filme não tinha nada a fazer em Cannes, com nossos problemas do passado de Leste e Oeste. Cheguei à conclusão de este filme precisava ser debatido aqui em Berlim. AE - Não houve gentileza demais no tratamento da terrorista? Schlondorf - O filme trata da historia de uma terrorista arrependida, de alguém que deixou o terrorismo.Na Itália, foi possível reintegrar essas pessoas. Com o nosso rigor alemão isso parece impossÍvel. O filme não queria tratar do terrorismo, da carreira dela no terrorismo, nem dos atentados cometidos. Queríamos mostrar a sinceridade da personagem, não julgá-la.





