Filme agrada os saudosistas da Guerra Fria
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de fevereiro de 2014
Ricardo Calil<br>Folhapress 
São Paulo - Bons tempos aqueles em que Guerra Fria era muito mais que o nome do novo sucesso dos pagodeiros do Sorriso Maroto. Havia uma divisão clara, confortável e ideológica do mundo entre bons e maus. Havia psicopatas soviéticos com sotaque de caricatura. E havia "Rocky IV".
Não existe explicação razoável para a ressurreição do personagem Jack Ryan além da nostalgia da Guerra Fria.
Ryan já protagonizou quatro filmes dignos, mas pouco memoráveis. Foi interpretado por três astros (Alec Baldwin, Harrison Ford e Ben Affleck) sem manchar nem marcar a carreira de nenhum.
E ainda assim, um ano após a morte de Clancy, lá vem um quinto filme, com um quarto ator (Chris Pine), que segue a mesma sina de ser mediano dos anteriores em "Operação Sombra - Jack Ryan".
Há uma tentativa de atualização do personagem e, sobretudo, uma profusão de telas de computador e celular - hoje, como se sabe, a digitação é a principal atividade de um espião, e a tendinite, seu maior risco.
Mas há quem sinta falta da Guerra Fria, como provam os comentaristas de certos blogs, então o filme deve encontrar seu público. Para quem não sente, haverá sempre o Sorriso Maroto ("Uma guerra fria dentro do meu peito/ Não encontro jeito pra gente viver em paz").


