Movidos pela paixão, sem recursos e sem formação acadêmica, eles se lançaram na aventura de fazer cinema no Brasil. São engenheiros, artistas plásticos, estudantes. Alguns encontraram em oficinas de cinema a forma de viabilizar o sonho, outros foram na raça - ‘‘vamos aprender errando’’. Eles fazem parte de um grupo de pessoas, espalhado por todo o Brasil, que está produzindo curtas e médias metragens, feitos em bitola de 8 mm.
Estes desconhecidos e talentosos cineastas participaram da I Mostra Londrina de Cinema. Eles foram iniciados na sétima arte graças ao Super 8. Fazer filmes em bitola de 8 mm, segundo eles, é mais simples devido a facilidade de trabalhar com o formato, os custos mais baixos e a estética de granulação.
Com recursos do próprio bolso estes cineastas estão descompromissados com o mercado, o que possibilita enveredarem pela linguagem experimental. Outra vantagem em se trabalhar com Super 8: a liberdade criativa. O outro lado da moeda dá o tom de aventura ao trabalho. Sem dinheiro, muitas vezes uma idéia não pode ser desenvolvida, a não ser pelo acaso.
A falta de recursos e as dificuldades de se produzir um filme em 8 mm, segundo Erik Muller, que participou da mostra com o média metragem ‘‘A Bagagem Hermética’’, é uma grande escola. ‘‘A grande sacada do Super 8 é o caráter intimista’’, afirma. ‘‘Todo mundo participa de cada etapa de realização do filme’’.
O engenheiro mineiro, radicado em São Paulo desde 1979, Custódio Guimarães, que participou da mostra com o curta ‘‘A Viagem’’, é um destes loucos por cinema que em 1997 deixou de ser espectador para ser ‘‘fazedor’’. ‘‘Eu me mudei para São Paulo para assistir mais filmes. Em um ano foram 200’’, conta. Chegou uma hora que não dava mais, ele tinha que começar a produzir seus filmes.
Na primeira, e única, oficina que fez em 1997, produziu junto com os participantes o curta ‘‘Sutil Sedução’’. O filme foi premiado com menção honrosa no Festival de Gramado, no mesmo ano. Deste trabalho surgiu o núcleo de cinema ‘‘Tela em Transe’’.
O gaúcho de Porto Alegre Rafael Sirangelo, outro iniciado em Super 8, que participou da mostra com o curta ‘‘A Sobrevida’’, conta que começou a fazer filmes na raça. Pegou uma câmara e decidiu que iria aprender errando. Ele afirma que com o que um estudante de cinema gasta em uma faculdade a cada dois meses é possível fazer um curta em 8 mm. ‘‘Se a pessoa fizer durante quatro anos um curta a cada dois meses, vai saber muito mais sobre cinema e ter muito mais mídia do que se ficar na faculdade’’, afirma.
É na raça mesmo que a maioria destes cineastas que estão despontando desde meados da década de 90 tem produzido filmes exibidos nos festivais.Dorico da SilvaErik Muller, Custódio Guimarães e Rafael Sirangelo: câmeras na mão e boas idéias para produzir em Super 8Érika Pelegrino

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