Rio, 07 (AE) - Se depender de Léo M., Tim Maia inaugurou uma dinastia musical, como os Marçal e os Caymmi. O filho do síndico da música popular brasileira estreou ontem (06) no Rio, com o bar Mistura Fina cheio, apesar do jogo do Brasil contra o Chile pela Copa América, que atrasou o espetáculo em uma hora. Quem foi, saiu elogiando. "Bacanézimo, ele é lindo, está prontíssimo e tem um talento indiscutível", disse Lulu Santos, de quem Léo M. cantou "Sábado à Noite". "Acabo de assistir ao início de uma coisa muito boa", respondia Lenine, também na platéia.
Léo M. tem 25 anos e foi criado em Campos, no norte do Estado do Rio, onde mora sua mãe. Lá, começou a cantar em bailes
a dar canjas em bares e a estudar música e Direito, curso que termina no ano que vem, por exigência do pai. Nesse aspecto, ele fala de um Tim Maia surpreendentemente careta. "Não tinha moleza, não", conta Léo M. "Eu o chamava de senhor, pedia bênção e ele exigia notas ótimas no colégio, já que eu não fazia mais nada além de estudar". Mas foi o próprio Tim quem incentivou o então adolescente nas primeiras notas musicais. "Ele me ensinou o do-ré-mi e disse que daí em diante era comigo".
O rapaz fez o dever de casa e chegou com gás no show de estréia. Antes, teve uma apresentação no Rock in Rio Café, mas só com violão. Com a banda (Gustavo Corsi na guitarra, Gelsinho Moraes no baixo e Dudu Trentin no teclado), é a primeira vez que ele enfrenta um público mais blasé. E sonha alto. "Quero viver de e para a música", diz. "Minha meta é o Metropolitan e o Canecão, e só quando eu chegar lá vou achar que estou conhecido". Mas não esqueceu a lição paterna: "Meu pai sempre disse que a gente deve ter uma carreira pequena, mas constante, porque o grande sucesso passa rápido".
A herança paterna aparece no vozeirão de Léo M. (que ele ainda não solta à vontade, como o pai) e nos arranjos pesados e dançantes. "Eu cursei a escola de música Vitória Régia", brinca ele, numa alusão à banda de Tim. Mas Jorge Benjor é influência nítida na música que abre o show, "Take it Easy, Charles", sucesso dos anos 70, e na confissão de que sempre ouviu o compadre do pai, ao lado de Cassiano, Lulu Santos, Roberto Carlos e Luiz Melodia. "Ouço os discos desses caras 30 vezes, e cada vez aprendo uma coisa nova", comenta.
Há músicas de cada um deles no show, em que Léo M. mostrou também composições próprias. Como compositor, é irregular. Tem músicas ótimas, como "Protegido" ("Sou afilhado de Jorge e filho de Sebastião", canta) e outras não tão boas, como "SOS Samba Funk", melodia banal e letra beirando o tatibitati.

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