A tradição da black music verde-amarela está sendo retomada nesta temporada. Mas, por enquanto, é fruto menos de uma tendência coletiva do que iniciativa de uma única família.
Depois de Max de Castro lançar seu primeiro álbum ‘‘Samba Raro’’, agora é a vez de Simoninha estrear no mercado fonográfico com ‘‘Volume 2’’. Ambos são filhos do cantor Wilson Simonal, que fez grande sucesso entre os anos 60 e 70 e cuja trajetória ficou manchada por supostamente ter ‘‘dedurado’’ colegas durante a ditadura militar.
Se Max resgata vocais na melhor tradição da soul music, Simoninha apresenta-se mais cool com um pé no r&b, chegando a lembrar em alguns momentos as interpretações (e a chatice também) do cantor Emílio Santiago. Simultaneamente à empreitada-solo, ele canta no CD ‘‘Artistas Reunidos’’, lançado este mês com participação dos filhos de Simonal, Jair Rodrigues e Elis Regina.
Antes, registrou sua voz nos discos ‘‘A Turma da Mônica’’ (este, quando era pirralho) e ‘‘João Marcelo Bôscoli & Cia’’ (de 1995). Esteve envolvido também nos bastidores da música fazendo parte das equipes de produção dos festivais Free Jazz e Hollywood Rock. Hoje é diretor artístico de uma das subdivisões da gravadora Trama, a mesma que está lançando seu CD.
‘‘Volume 2’’ vai chegar também às lojas da Europa e Estados Unidos. A embalagem do disco promocional distribuído à imprensa é caprichada simulando uma capa de LP de vinil, que talvez ganhe uma tiragem limitada no exterior. O repertório reúne 14 faixas incluindo duas composições próprias, duas do irmão, duas parcerias com o poeta e letrista Bernardo Vilhena, além de regravações do pai, de Johnny Alf e de Jorge Benjor.
Benjor ganha homenagem logo na abertura com uma vinheta trazendo um sample de seu clássico ‘‘Mas que Nada’’. E é revisitado na faixa seguinte com uma versão cheia de suingue de ‘‘Bebete Vãobora’’ (‘‘Eu sou seu homem / E você minha mulher / Mas é que o nosso neném / Está chorando querendo mamar / E você sabe muito bem que logo mais / Eu tenho que ir trabalhar / Pois já não posso chegar atrasado / E nem pensar em faltar / É que o novo gerente não é lá muito meu amigo / E depois como é que eu posso comprar, estando a perigo / Novas sandálias / Pra você sambar’’...).
A regravação é um dos bons momentos do CD ao lado do baião eletrônico ‘‘Aquele Gol’’ (com menções a Luiz Gonzaga) e das baladas românticas ‘‘Lua Clara’’, ‘‘Orgulho’’ (com uma bem urdida percussão eletrônica) e ‘‘Ter Voc꒒ (esta a mais radiofônica do disco). De Johnny Alf, ele reinterpreta ‘‘Eu e a Brisa’’ instalando uma atmosfera de piano-bar no repertório.
Nenhuma das faixas citadas, porém, empolga a ponto de tornar o álbum obrigatório, transformar o artista na revelação do ano ou coisa parecida. Apesar da boa performance vocal e da produção cuidadosa, que ele dividiu com Daniel Carlomagno e Jairzinho Oliveira (filho do sambista Jair Rodrigues), Simoninha não deslancha. Ensaia vôo, mas não sai do chão.

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