Filha também escreveu sobre o pai
Filha também escreveu sobre o pai
Uma das características mais marcantes de Charles Lindbergh era a maneira como exercitava o afeto e a disciplina na mesma proporção. É o que diz Reeve Lindbergh, a caçula dos cinco filhos do famoso aviador, no livro Under a Wing - A Memoir (US$ 23 na www.amazon.com), ainda a ser lançado no Brasil. Como o título já avisa, não se trata de uma biografia, como a recém-lançada Lindbergh, de Scott Berg, mas das memórias de alguém que desfrutou da intimidade de um dos maiores aventureiros deste século.
No leito de morte na Ilha de Mauí, no Havaí, onde morreu de câncer linfático aos 72 anos, o aviador espantou todos ao externar o espírito de aventura com que via a própria morte.
Autora de livros infantis e romances, a autora sugere que a maior contribuição do pai para a aviação talvez não tenha sido o vôo no Espírito de St. Louis, mas a lista de segurança que ele inventou e se tornou obrigatória para pilotos. A mania de checar e rechecar equipamentos e procedimentos de vôo antes de decolar o livrou de muitos acidentes, principalmente na grande aventura, já que abriu mão do pára-quedas e do rádio por mais gasolina.
Estávamos longe de formar a típica família dos anos 50, lembra Reeve, em seu livro. Nunca tivemos televisão, não íamos à igreja, não pertencíamos a nenhuma organização e éramos proibidos de ler gibis e mascar chiclete.
A viúva de Lindbergh, Anne Morrow, hoje com 90 anos, também escreveu um livro sobre a proeza do marido - The Spirit of St. Louis, que levou 17 anos para ficar pronto e ganhou o Prêmio Pulitzer. (Suzana Uchôa Itiberê/AE)





