Figura bizarra no mundo do livro
Figura bizarra no mundo do livro
Telma Elorza
ReproduçãoZé do Caixão: biografia do mestre do cinema trash brasileiro reúne entrevistas de 110 pessoasEle chegou causando sensação. Afinal, quem pode deixar de ver - mesmo que ao longe - aquela figura de capa e cartola, todo de preto, acompanhado por três moças vestidas com collants e capas vermelho sangue? Conhecedor como poucos de todos os truques para chamar a atenção, José Mojica Marins - o Zé do Caixão - foi uma das mais bizarras figurinhas a desfilar pelos corredores da 15ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O motivo: o livro Maldito - A vida e o cinema de José Mojica Marins, o Zé do Caixão (Editora 34), sua biografia assinada por André Barcinski e Ivan Finotti, que estava sendo lançada no evento.
O livro é a primeira biografia do mestre do cinema trash brasileiro. Segundo o próprio, é mais que um livro. É um manual para a área de comunicação em geral, e para os cineastas em particular. Ele mostra o caminho a seguir e todos os talismãs a serem usados para alcançar seus objetivos e vencer na vida - diz, modestamente, Mojica.
Segundo ele, a idéia do livro nasceu em 1994 quando, em uma feira/convenção de horror, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, percebeu que os americanos procuravam qualquer coisa publicada sobre ele. Eu tenho uma multidão de fãs nos EUA. Teve gente que, naquela feira, viajou três mil quilômetros para me ver. Aí o André (Barcinski), que estava lá, me passou a idéia. E eu gostei - conta.
A partir de então, os dois autores puseram mãos à obra e fizeram 400 entrevistas com 110 pessoas que, de uma ou outra forma, participaram da vida de Mojica, além de outras 100 horas de entrevistas com o próprio. Foi uma pesquisa muito completa. Eles descobriram inclusive a minha idade, coisa que nem eu mesmo tinha mais certeza - brinca o cineasta.
Maldito contra a vida de Mojica, de sua infância humilde em um subúrbio de São Paulo até o seu sucesso no Estados Unidos, nos anos 90. Repleto de casos curiosos, o livro traz desde as primeiras experiências cinematográficas - e como ele virou o Zé do Caixão - até a perseguição que sofreu no período da ditadura militar.
Mojica reconhece que o livro o surpreendeu. Em momento algum, segundo ele, preocupou-se em interferir no resultado. Tanto que o livro traz algumas imperfeições, como mostrar heróis do passado como vilões e vice-versa. Algo que deve ser corrigido nas próximas edições - diz. E a certeza que vai haver até novos volumes: Os autores vão até a década de 70 minuciosamente e depois dão uma apressada nos anos posteriores. Acho que vamos ter Maldito 2, em breve. Eles não utilizaram todo o material que colheram - garante.
Independentemente de um segundo volume desta biografia, Mojica também tem planos de lançar, ele mesmo, um livro. Tenho material suficiente para lançar até mais que um livro. Escrevo há 3 anos, semanalmente para vários jornais brasileiros, crônicas baseados em fatos que aconteceram comigo. Até o ano 2000 deve sair o meu - promete.
José Mojica Marins e os autores deverão lançar Maldito, no próximo dia 13, em Curitiba. Já está programado um ciclo com os principais filmes de Mojica, na Cinemateca de Curitiba. Para quem gosta, é um prato cheio. Independente de gosto, merece ser visto. Afinal, são mais de 30 anos de resistência na difícil arte de fazer cinema brasileiro.





