A banda mais impressionante desta nova geração atende pelo nome de ‘‘Cordel do Fogo Encantado’’. Formado por Lirinha, Clayton Barros, Emerson Calado, Rafa Almeida e Nêgo Henrique, o Cordel nasceu em Arcoverde – cidade a 250 quilômetros de Recife –, há mais de seis anos. Esse grupo de cinco jovens pernambucanos faz música usando elementos cênicos e poéticos, como a literatura de cordel da cultura sertaneja. Mas não se propõe ao simples resgate. Sua composição é mais do que celebrativa, é inventiva.
Ao mesmo tempo que Chico Science e Fred Zero Quatro mostraram o futuro do pop nacional, bandas como o ‘‘Cordel do Fogo Encantado’’ e ‘‘DJ Dolores’’ também mostram o futuro do mercado. ‘‘Todos esses grupos trabalham independentemente, sem se render às grandes corporações’’, explica Fred Zero Quatro. ‘‘Ao mesmo tempo que a música está sendo reciclada, os elementos da indústria também estão sendo repensados, e toda a lógica do mercado está sendo posta em xeque. As bandas estão construindo uma ponte para ligar diretamente o Recife com o mundo, sem intermediários.’’
Mas talvez a melhor resposta para entender como a cena recifense consegue ainda hoje se reciclar foi dada no último dia do festival Rec Beat. Durante uma hora e meia, o Cordel do Fogo Encantado surpreendeu com sua força e disposição, e foi surpreendido por mais de 15 mil pessoas – as mesmas que vestiam camisetas com o rosto de Chico Science –, que cantavam em uníssono todas as intrincadas músicas e os poemas declamados pelo vocalista Lirinha. Não houve quem não sentisse um friozinho na espinha e se rendesse ao inegável convite à dança. (R.B.)

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