Ficção ''cientológica''
A façanha é rara mas aconteceu. A Reconquista (veja a programação de cinema na página 5) conseguiu reunir a irada unanimidade da mais influente crítica norte-americana. A condenação passa uma descompostura em regra na forma e no conteúdo. O projeto, embalado há 17 anos por John Travolta, está fazendo água por todos os lados nas bilheterias americanas e canadenses.
Corre o ano de 3000, um milênio avante portanto. A raça dos Psychlos conquistou a Terra. Os humanos sobrevivem em bandos. Logo eles abandonam a paisagem mais inóspita e se dirigem para as ruínas de parques temáticos na cidade de Denver, Colorado. As ruínas foram depredadas por mil anos, mas os livros ainda são legíveis embora empoeirados, e um simulador de vôo ainda funciona - onde se obtém eletricidade é que é um mistério...
O herói, chamado Jonni Goodboy Tyler (Barry Pepper), é um humano esperto que vai ficando ainda mais esperto, graças a uma espécie de gizmo Psychlo que provê todo o conhecimento. Jonny aprende geometria euclidiana e também como pilotar um jato, provando que é bem sabidinho para um novo homem das cavernas. Os vilões são dois Pychlos, Terl (Travolta) e Ker (Forest Whitaker). O primeiro é chefe de segurança da raça e tem um esquema secreto para usar os humanos como escravos numa mina de ouro. E daí a coisa vai e vai, como uma viagem de ônibus com alguém que precisa de um banho há mil anos, uma viagem não meramente ruim, mas desagradável de uma maneira hostil, segundo fulminou um crítico americano.
Battlefield Earth foi escrito em 1980 por Ron Hubbard, o fundador da Cientologia, religião de Travolta, Cruise e vários outros da comunidade hollywoodiana. No filme não há evidência pelo menos aparente dos preceitos cientológicos ou de nenhum outro sistema de pensamento filosófico. O diretor é Roger Chistian, o que significa menos ainda. (C.E.L.J.)





