Meia noite e vinte e cinco. Luzes apagadas. Dizem que está por aí, sempre a nos rondar. Tal qual a morte, aparecendo quase sempre quando menos se espera. Talvez seja este o meu erro: procurar incessantemente o mais genial dos insights. Reza a lenda que procurar pela idéia genial é como procurar carteiras abarrotadas de dinheiro pelas ruas, ou seja, nunca estão lá quando se quer ou se precisa.
Vivo tecendo queixas sobre a minha atual descrença na ''inspiração''. De alguns meses para cá, e sabe-se lá por qual motivo, minha mísera produção musical e literária decaiu ainda mais. Parte disso deve ser atribuída à minha mania de manter as coisas coesas sem que soem repetitivas. E a outra parte: falta de inspiração? Não! Há que se suar os panos para pagar a conta da luzinha que se acende ao lado da cabeça. É bem isso: por aqui as coisas se dão na base da (ins)piração, da labuta com papéis e canetas e instrumentos no colo como que cobrando resultados do meu lado criativo cada vez mais escasso .
Acabo de criar mais um problema. E sem ajuda de ninguém! Não sendo falta de inspiração, o que mais pode ser? Excesso de trabalho? Bem provável. Em meio aos ''me ensine a tocar aquela música'' ou ''tire estas treze para o ensaio de amanhã'' meus momentos de observação da espécie humana (leia-se ócio) caminhando e cantando e parando nessa ou naquela lanchonete do Calçadão extinguiram-se graças à mecânica cotidiana. Madruguismos à parte, tenho plena consciência de que ''navegar também é preciso'', muito embora eu precise, mais do que a média, dessas horas de ócio.
Talvez seguir o conselho que sempre me dão e organizar as coisas: papéis pelo chão, horários, honorários, cabeça e coração. Papéis e horários organizados e noites livres para pensar (a tal luzinha das idéias me é invisível à luz do sol). Uma e oito da manhã, luzes apagadas e...FIAT LUX! As linhas acima podem ser um bom começo. Do contrário esperarão até amanhã.
Mateus P. de Oliveira é músico em Londrina

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