São Paulo, 17 (AE) - O fotógrafo Romulo Fialdini mostra a partir de quarta-feira (19), no Espaço Paul Mitchell (ex-Li Photogallery), uma prévia do trabalho de registro urbano que vem desenvolvendo há três anos e que deve ser editado ainda este ano em livro, pela Editora DBA. Reunindo apenas nove das milhares de imagens captadas por Fialdini ao longo dessa pesquisa, a mostra "Quadradas" não tem nada de documental. São imagens desfocadas
tremidas, que estabelecem uma espécie de universo misterioso e onírico.
As fotos - feitas em São Paulo, Nova York e uma delas numa fazenda em Araras - poderiam ser de qualquer lugar. "Na verdade elas não são fotos muito reais, elas são sentimento", explica. Apesar de pertencerem a um universo completamente diferente dos registros que Fialdini faz no seu dia-a-dia - o fotógrafo é um dos principais autores de fotos de arte contemporânea e realiza uma série de trabalhos de decoração para revistas especializadas -, ele não gosta de considerar essas duas formas de expressão como caminhos distintos.
"Para mim, tudo é fotografia; fotografar um sapato ou os trabalhos dessa exposição, tudo me dá prazer", afirma. É como se uma forma de expressão se alimentasse da outra. Aliás, o material utilizado é exatamente o mesmo. Pode-se dizer, no entanto, que no caso atual quem comanda é a emoção e não a razão. "Saio andando com a câmera na mão e fotografando o que me interessa", conta o fotógrafo. A indefinição da imagem e os efeitos de luz decorrem mais do jeito e da rapidez com que são feitas do que de uma intenção precisa. "Não é a razão que está mandando, é o meu olho", confessa.
Assim, como um andarilho, ele vai descobrindo imagens que o encantam, como a do prédio do Banespa, feita por acaso num dia em que tinha ido fotografar o Mosteiro de São Bento. Também não há grande mistério na escolha do tema. "Escolhi fotografar a cidade porque é um assunto que conheço bem e gosto". Fialdini concorda que os fotógrafos paulistas parecem ter uma queda por registrar sua cidade e tem uma explicação para isso: "São Paulo é uma cidade muito feia, talvez a mais feia que eu tenha conhecido, mas para a fotografia ela é uma cidade muito interessante, tem esse ar dark que resulta em boas imagens".
Mas por trás desses acasos há uma longa experiência. "Por trás desses trabalhos talvez estejam as aulas que tive com Willys de Castro, que me ensinou a ver", diz ele. Há 25 anos Fialdini está detrás de uma câmera. Tudo começou quando realizou um curso do Masp, montado especialmente para formar novos quadros para o museu. Nesse período ele descobriu a fotografia e nunca mais a largou. Na época, ele tinha 23 anos, foi parar no Masp por acaso e nunca havia pensado em ser artista. O seu primeiro trabalho de fôlego foi para o livro "História da Arte do Brasil", de Pietro Maria Bardi. Serviço - Romulo Fialdini. De segunda, das 10 às 15 horas; terça a domingo, das 10 às 20 horas; sábado, das 10 às 13 horas. Espaço Paul Mitchell. Rua da Mata, 70, tel. 883-0300. Até 15/5.

mockup