Francelino França
De Londrina
Os ciganos estão prestes a se instalar em terras paulistanas, vindos de várias partes do planeta. Quem resolveu reuni-los para mostrar a influência e contribuição da arte cigana em 13 países foi a produtora e atriz luso-brasileira Ruth Escobar. Muitos grupos já estão no Brasil e na próxima quarta-feira, dia 27, darão início a 8ª edição do Festival Internacional de Artes Cênicas, Fiac. O Festival exalta a magnitude musical e teatral desse povo nômade, batizando o evento de ‘‘Diáspora Cigana’’.
A perseverante empreendedora lamenta que ‘‘eles não são respeitados como outras etnias’’. Ruth Escobar se deparou com a altivez musical do grupo indiano Divana na edição anterior do Fiac. Isso a inspirou na escolha do tema do festival. A nítida influência da arte oriental no trabalho de grandes diretores de teatro da atualidade, justifica, segundo Escobar, a opção pelos ciganos.
No total, 150 artistas – nem todos de origem cigana – montam acampamento na paulicéia. Virão os grupos: Divana e Fanfarra de Bijapur (Índia); Músicos do Nilo (Egito); Koumpanéia Kostas Xalkias (Grécia/Albânia); Cia. Kek Lang (Hungria); Taraf de Haidouks (Romênia); Kocani Orkestar (Macedônia); Goran Bregovic e sua Orquestra de Casamentos e Funerais (Sérvia/ Bulgária e Polônia); Cia. Eva La Yerbabuena e Carmen Linares (Espanha) e o compositor e músico brasileiro Wagner Tiso, descendente de ciganos.
Na programação diversificada da ‘‘Diáspora Cigana’’, os húngaros do Kek Lang são catalogados como autênticos gitanos. Trazem 14 pessoas, entre músicos, cantores e dançarinos. Estão entre os mais tradicionais representantes da tribo Lavaris, recorrem às técnicas vocais que imitam o baixo, contrabaixo e gaita de fole. Suas vozes guturais, graves e roucas formam um perfeito contraponto às vozes agudas femininas.
O músico Goran Bregovic, atração muito aguardada, coloca no palco uma orquestra com 50 integrantes. Bregovic se tornou mundialmente conhecido ao fazer trilhas sonoras para filmes de Emir Kusturica, ‘‘Arizona Dream’’ e ‘‘Underground’’, premiados no Festival de Cannes. Ele também é responsável pela trilha sonora do filme ‘‘Rainha Margot’’, do francês Patrice Chéreau. Goran Bregovic é um artista globalizado, e por isso, reforçou a característica nômade, pois se apresenta por toda Europa e Ásia.
Do misterioso Egito, os Músicos do Nilo são representantes da verdadeira tradição cigana. Da Espanha, uma das mais importantes bailarianas de flamenco, Eva Garrido García, traz ao Brasil as ramificações dessa dança, e se apresenta com a cantora Carmen Linares. Eva La Yerbabuena, como é conhecida, não ofusca com sua dança seus parceiros de palco: cantores e músicos. Eva escuta o canto, imóvel, até entrar com seus movimentos precisos. Lamentos de pastores e lamentos funerários cantados por mulheres reforçam a característica de gitanos antigos presentes na performance dos membros da Koumpanéia Kostas Xalkias, Grécia.
Esse ano, o Fiac ecoa, mais do nunca, uma linguagem sonora diversa. E da terra onde se originou o povo cigano, a Índia, Ruth Escobar escolheu a Fanfarra de Bijapur e o grupo de músicos e poetas Divana, todos muito ligados às festas tradicionais indianas. Por serem de terras tão distantes e com pouca repercussão nas Américas, muitos grupos são verdadeiras incógnitas. Nem por isso é preciso recorrer a ledoras de sorte para escolher qual espetáculo assistir.
Ingressos para o 8º Fiac podem ser adquiridos no Teatro Municipal de São Paulo (11/222-8698); Sesc Vila Mariana (11/5080-3147); Sesc Belenzinho (11/6096-8143). Pela Internet: [email protected] 8º Festival Internacional de Artes Cênicas - Fiac - começa na quarta-feira e, este ano, é dedicado à arte cigana
ReproduçãoA bailarina Eva La Yerbabuena vai mostrar a dança flamenca no FiacReproduçãoOs Músicos do Nilo (Egito) também integram a programação do Fiac

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