São Paulo, 28 (AE) - O melhor da arte cigana está na cidade e vale apurar os sentidos para desfrutá-la. Olhos e ouvidos bem abertos para a programação do 8º Festival Internacional de Artes Cênicas, cujo tema é a Diáspora Cigana. Organizado pela atriz e produtora Ruth Escobar com apoio do Estadão Cultural, projeto permanente de estímulo à produção cultural, o Fiac reúne durante 13 dias dez grupos de artistas ligados à arte cigana de diferentes países.
Quatro desses grupos estarão nos teatros da cidade neste fim de semana: Divana e Fanfarra do Bijapur, ambos da Índia, Músicos do Nilo, do Egito, e a parceria especial de duas estrelas da música e da dança flamencas: a cantora espanhola Carmen Linares e a dançarina Eva Garrido, "la Yerbabuena". Em suas andanças pelo mundo, os ciganos preservaram seu idioma, o romani, mas assimilaram cantos e danças de várias culturas, que de outra forma teriam desaparecido no tempo. Os dois grupos da Índia, país de origem dos ciganos, permitem ao público conhecer melhor a sonoridade original desse povo nômade.
O Divana está no Brasil pela segunda vez e o sucesso entre o público desse grupo na edição do Fiac do ano passado foi um dos motivos alegados pela atriz Ruth Escobar para a escolha da Diáspora Cigana como tema desta edição. O grupo Fanfarra do Bijapur apresenta ao ar livre, com acesso é grátis, uma música alegre, cuja origem remonta aos rituais do casamento indiano. As fanfarrras animavam a cortejo que seguia o noivo até a casa da noiva.
Vivendo no sul do Egito, os integrantes do Músicos do Nilo prometem mostrar que a imensa riqueza da música árabe vai muito além do tradicional som de flauta do encantador de serpentes.
Há controvérsias quanto à origem cigana da música flamenca, mas não há dúvida quanto ao talento das espanholas Carmen Linares e Eva, la Yerbabuena. Ambas são estrelas com carreira internacional em suas artes, o canto e dança flamenca, respectivamente, e raramente dividem o mesmo palco. Acompanhada de cinco bailarinos e quatro músicos, Eva apresentará quatro diferentes coreografias. Em seguida, Carmem cantará cinco músicas de estilos diferentes, todas de um repertório especial, resultado de oito anos de pesquisa em torno de canções criadas por mulheres. Um show que promete passar longe da obviedade e dos clichês da arte flamenca.

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