Um encontro de participantes dos Projetos de Maio marca hoje o encerramento das oficinas realizadas durante a 36 edição do Festival Internacional de Londrina (Filo). Das 18 às 20 horas, o projeto ''Rally Circo Social'' encerra o trabalho itinerante iniciado no dia 21, com uma grande apresentação no Calçadão. Também devem participar integrantes das oficinas ''Palhaço, Sim Senhor'' (realizada na Casa do Caminho), ''Escrevendo e Desenvolvendo Poesia'' (no Lar Anália Franco), ''Dança como Expressividade'' (na Escola Oficina Acalon), entre outros.
O ''Rally Circo Social'', dirigido por Geraldinho Miranda, realizou a bordo de um carro especial oficinas de grafite-cenografite, circo, rádio de circuito-interno, percussão e artes plásticas em três comunidades (Ilece, Caic do Jardim Santiago e Praça do Conjunto João Paz). Hoje, das 10 às 12 horas, o Rally Social também fará uma apresentação na lona armada no Centro Social Urbano (CSU) da Vila Portuguesa.
Aliás, o espaço montado no local abrigou outra oficina, encerrada ontem com a apresentação do espetáculo ''Brasileirinhos''. Trata-se do projeto ''Circo Cidadão'', uma parceria do Filo com a Rede da Cidadania, que foi desenvolvido por 11 integrantes do Circo das Artes, do Rio de Janeiro.
Mais de 120 crianças, adolescentes e jovens fizeram duas semanas de oficina, com aulas de técnicas e confecção de materiais circenses. ''A continuidade desse trabalho é importante porque tocou em um ponto essencial para os participantes: que o sonho pode ser realidade. Isso talvez os traga para uma realidade em que eles podem ser valorizados como cidadãos'', comenta Marco Antônio Gambôa, do Circo das Artes.
O espetáculo ''Brasileirinhos'', que aborda a temática da paz, foi criado especialmente para o Filo e montado em Londrina em uma semana. No picadeiro, os artistas cariocas se apresentaram com alguns participantes da oficina.
''Brasileirinhos'' traz para a cena questões do dia-a-dia demonstradas através dos números circenses. O pai de família que tem de se equilibrar na vida (arame), o assaltante no monociclo, o relógio (aro) que representa o tempo curto do cotidiano. No final, o amor e a paz são simbolizados em um número de tecidos.
O público assistiu a um espetáculo de uma hora que também incluiu pirofagia, trapézio, palhaços, acrobacias, contorcionismo e malabarismo (uma atração à parte nesse número com bolinhas foi o pequeno Eduardo, aluno da oficina).
O projeto Circo Cidadão será desenvolvido a partir de junho no CSU pelo programa Rede da Cidadania. ''Esse projeto dá início a uma escola de circo em Londrina'', aposta Marco Antônio Gambôa.
Outro projeto que resultou em uma apresentação ao público, na semana passada, envolveu 35 idosos, além de sete atores, na oficina de Teatro com a Terceira Idade. Desenvolvido desde 2002 no Filo por João Henrique Bernardi, ''No Te Olvides'' é um projeto artístico-cultural de resgate da memória a partir do arquivo vivo: a pessoa.
A base do trabalho é o resgate de fatos vivenciados pelos idosos e que marcaram suas vidas. Desde o dia 22 de abril, os participantes com idade entre 12 e 80 anos trabalharam na construção da montagem, partindo da memória individual e ligando-a à memória coletiva, num recorte da história do Brasil entre os anos de 1954 (morte de Getúlio Vargas) e 1964 (Golpe Militar). O resultado foi a montagem ''Chovia na Gente''.
A performance levou o público a caminhar pelas cenas e pela memória de pessoas que têm muita história para contar. E emocionou pelo simples fato de ver a alegria e a satisfação estampada no rosto de cada um dos participantes e o brilho nos olhos proporcionado pelo aplauso dos espectadores.
Quinze projetos de inclusão social foram desenvolvidos este ano, no intuito de valorizar e estimular as manifestações culturais em comunidades que sofrem os mais variados tipos de exclusão. Além dos projetos citados, foram realizadas ainda as oficinas ''Fotografia - Imagens do Hip Hop'' (com integrantes do movimento), ''Costura Artesanal'' (com mulheres da Zona Norte), ''A Espera - Teatro na PEL'', ''Expressividade Cênica'' (com alunos do Instituto de Instrução e Trabalho para Cegos), ''Ondas Livres no Assentamento'' (rádio comunitária no Assentamento Dorcelina Folador, em Arapongas), ''Palavras do Silêncio'' (mímica e pantomima com alunos do Instituto de Educação de Surdos), ''Percussão'' (crianças e adolescentes da Zona Norte), ''Teatro Testemunhal'' (na invasão do Conjunto José Belinati) e ''Transarte'' (com índios caingangues da Reserva Apucaraninha).

mockup