Jackeline Seglin
De Londrina
Circo, teatro, cinema, ópera, moda, dança, cenografia, artes plásticas e até gastronomia. A primeira fase do Filo 2000, Ano 0, de Todas as Artes, vai contemplar vários segmentos na realização de cursos, oficinas, exposições, seminários, visitas e outras atividades que envolverão a comunidade. A diretora Nitis Jacon diz que enquanto há algumas propostas sendo estudadas e negociadas, outras estão praticamente fechadas.
Entre os 20 projetos programados para o mês de maio está a Oficina de Circo em parceria com a Funarte/Minc. Este trabalho deverá ser desenvolvido por professores e alunos da Escola Nacional de Circo em bairros de Londrina. Já nas duas Oficinas de Máscara Teatral com o grupo Moitará, do Rio de Janeiro, serão aplicadas técnicas de confecção e utilização de máscaras na preparação do ator. Destinadas a participantes do centro ou da comunidade universitária, este projeto pode, entretanto, incluir comunidades de bairro a partir da fase de sensibilização do Projeto.
A conhecida trupe brasileira dos Parlapatões, Patifes & Paspalhões também estará na cidade para comandar uma Oficina de Palhaços. O trabalho deverá ser desenvolvido com internos da Penitenciária Estadual de Londrina. Outro projeto interessante é o Gastronomia e Alimentação, em parceria com o Memorial da América Latina. A proposta é introduzir a discussão da segurança alimentar e da opção criativa para o barateamento e a qualidade da alimentação para a população menos privilegiada economicamente.
De Barcelona vem um projeto de educação pela paz: o Palhaços Sem Fronteiras. Desde 1993, o palhaço Tortell Poltrona realiza encenações em campos de refugiados. Recentemente, esteve em Sarajevo e Kosovo. Em Londrina, deverá se apresentar nas regiões mais carentes da cidade.
O Centro per la Sperimentazione e La Ricerca Teatrale di Pontedera (Itália) trará um projeto destinado a pessoas da terceira idade interessadas na atuação teatral. Também da Itália, o Grupo Potlach vem ao Filo como parceiro para trabalhar na concepção do projeto Città Invisible, no qual artistas de várias partes do mundo se encontram com artistas locais e buscam espaços inusitados na cidade.
Os Projetos de Maio incluem ainda os temas ‘‘Educação para Um Tempo de Cyber-Espaço’’ (UEL), ‘‘Homenagem a João Cabral de Melo Neto’’ (Funarte/Minc), ‘‘Bate Lata’’ (ONG Fundação Orsa/SP), ‘‘Exposição de Gravuras Recentes Maria Bonomi – SP’’ (Divisão Artes Plásticas da Casa de Cultura/UEL), ‘‘Oficinas Itinerantes de Artes Plásticas’’, ‘‘Manifestações Culturais Presentes na Produção Editorial Brasileira’’ (Editora da UEL), ‘‘Exposição do Acervo Bibliográfico – Funarte’’ (Funarte/Minc), ‘‘Projeto Etnofotográfico’’ (Emídio Luisi/SP), ‘‘Dança’’ (Dies de Danza – Ciudades que Danzan/ Espanha), ‘‘Histórias da Música Brasileira’’ (Rádio Universidade FM), ‘‘Cinema’’ (Divisão de Cinema e Vídeo da Casa de Cultura da UEL), ‘‘Projeto de Cultura de Moda para Comunidades Carentes de Londrina – Figurino de Teatro e Televisão’’ (Curso de Estilismo e Moda da UEL) e ‘‘Espaço da Cena Latino-Americana/2º Fórum de Discussão do Fazer Cenográfico e da Arquitetura Cênica’’ (Espaço Cenográfico/SP).
Praticamente todos os projetos começam a ser desenvolvidos em maio, exceto o ‘‘Histórias da Música Brasileira’’, que será apresentado pela Universidade FM na semana de comemoração dos 500 anos de descobrimento do Brasil.
A segunda fase do Filo 2000 tem muitas outras atrações. Para escolher os grupos participantes da programação artística, os organizadores do Filo esbarraram em alguns problemas técnicos – que aliás vêm de muito tempo. Fazer o quê? Nem teatro de verdade a cidade tem! ‘‘Tivemos que enfrentar uma discussão para decidir o que fazer com alguns espetáculos que não poderiam ser apresentados nem no Ouro Verde, por falta de condições técnicas. Chegamos até a pensar em levá-los para o teatro em Maringᒒ, observa Nitis Jacon. No final, o jeito foi tentar adaptar – mais uma vez – o que fosse possível.
O Filo 2000 pretende trazer para Londrina atrações de 13 países. A programação traz boas novidades. Uma delas é a apresentação de ‘‘Carmen, Sambópera’’, dirigida por Augusto Boal. Outro destaque é a cantora Cesária Évora, de Cabo Verde. Também conceituado é o Grupo de Dança Primeiro Ato, do Brasil, que vai apresentar o espetáculo ‘‘Beijo nos olhos... na alma... na carne’’, inspirado na vida e obra de Nelson Rodrigues.
O programa inclui ainda a Cia. Carles Santos, da Espanha, Duo Maria João e Mario Laginha (Portugal), Grupo DV8 Physical Theatre (Grã-Bretanha), Grupo Footsbarn Travelling Theatre (Grã-Bretanha/França), Forced Entertainment (Grã-Bretanha), Gran Circo Teatro (Chile), Grupo Els Joglars (Espanha), Grupo Helena Tritek (Argentina), Grupo Sêmola Teatre (Espanha), Grupo Sportivo Teatral (Argentina), Michel Didyn – Véronique Bellegard (Canadá), Grupo Michel Lemieux e Víctor Pilón (Canadá), Moving House Theatre Company (Hungria), Grupo Societas Rafaello Sanzio (Itália), Teatro Meridional (Espanha), Teatro del L’Ull (Espanha), Grupo Volksbuhne Am Rosa Luxemburg (Alemanha) e Warner & Consorten (Holanda).
A programação empolga, e muito. Basta saber se também vai seduzir os patrocinadores. O Filo 2000 está orçado em R$ 3 milhões. ‘‘Uma proposta modesta em relação a outros festivais que acontecem no país’’, justifica Nitis Jacon. Os organizadores já estão negociando com possíveis investidores.
Questionada sobre a possibilidade de receber recursos do Governo do Estado, Nitis Jacon disse que a verba destinada ao festival é modesta demais. ‘‘Um dos grandes eventos do país merece maior atenção. O Estado não vem atendendo à expectativa nem a importância do Filo. Espero que, este ano, seja um sustentáculo’’. A diretora diz que não quer uma parceria com o Governo. ‘‘Os parceiros, sem dúvida, vão nos ajudar a reduzir os custos. Mas o que queremos é que o Governo seja patrocinador, assim como o Município’’.
A nova proposta do Filo 2000, Ano 0, de Todas as Artes, também pode ser encontrada no livro ‘‘1968 – 1988 – 2000 – Filo: uma história’’, lançado ontem pela organização do festival. O material, com textos e fotos, é uma retrospectiva dos últimos 12 anos do Festival Internacional. O livro traz ainda informações prévias sobre o Festival Universitário de Londrina (de 1968 a 1987) e a conclusão, com o Festival de Todas as Artes.

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