O lançamento oficial do Festival Internacional de Londrina será nesta sexta-feira, mas a cidade já começa a entrar em ''clima de festival''. No bate-papo entre amigos já rolam conversas sobre a escolha dos espetáculos e os melhores shows do Cabaré. Considerado o maior festival de teatro da América Latina, o Filo traz nesta edição 42 espetáculos, totalizando 68 apresentações em 17 dias: ''A idéia é concentrar por mais tempo o 'clima de festival' na cidade. O Filo é um evento que tem que acontecer de forma linear e assim evitamos os altos e baixos que as programações mais extensas acabam acarretando'', comentou ontem o diretor do evento, Luiz Bertipaglia, em reunião com a imprensa da qual também participaram o secretário de Cultura, Luciano Bitencourt, e o diretor da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Kennedy Piau Ferreira.
O orçamento este ano é de R$ 1,6 milhão, similar à edição anterior. Apesar da tradição e da importância do evento no cenário cultural, o festival ainda passa por dificuldades na hora de arrecadar recursos para sua realização, mas Bertipaglia afirmou que começa a perceber avanços. Muitas vezes a falta de informação do empresariado local sobre a participação na Lei Rouanet que permite que a empresa abata no imposto federal o valor investido no apoio cultural , além de agregar valores à empresa, acaba sendo um dos principais obstáculos. Um exemplo de iniciativa bem-sucedida é a empresa estatal Petrobras, parceira antiga do Filo, que no final do ano passado já garantiu o seu patrocínio, no valor de R$ 250 mil. ''O ideal é que as empresas se antecipem, para que a gente já possa fechar a programação, principalmente com os grupos internacionais'', comentou. Em Londrina, a Milenia Agrociências foi a única empresa a entrar com patrocínio pela lei, investindo R$ 200 mil. Já o apoio financeiro do governo do Estado ainda não está definido e na reunião foi destacada mais uma vez a importância da implementação do Fundo Estadual de Cultura que já poderia prever estes recursos.
Como integrante dos Projetos Estratégicos do Programa Municipal de incentivo à Cultura (Promic), o Filo vai receber da Prefeitura R$ 250 mil. ''Devido à sua importância histórica, o festival não passa pelo processo de edital, assim como o Festival de Música e o carnaval popular'', explicou o secretário de Cultura, Luciano Bitencourt.
Outro apoio de peso é o da UEL, que este ano investiu R$ 50 mil, o que possibilitou a compra com antecedência das passagens dos atores convidados. A instituição também é responsável pelo apoio na parte de infra-estrutura, viabilizando o uso da Casa de Cultura e Teatro Ouro Verde para atividades do festival. E quem estava esperando um Ouro Verde renovado após três meses de fechamento, ainda vai ter que lidar com o cheiro desagradável do piso e com a falta de ar-condicionado. Segundo informações de Piau, só foi possível, por enquanto, resolver os problemas da parte elétrica e das poltronas; na parte de climatização, será feita apenas a reciclagem do ar e não a refrigeração. ''As questões pendentes estão sendo discutidas com o governo do Estado e devem ser resolvidas futuramente'', afirmou Piau. Durante o festival, a Orquestra da UEL continua ensaiando no Teatro Com-Tour.
Com um público estimado em 100 mil pessoas, o Filo este ano traz de volta o Cabaré, que promete ser o ponto de encontro de artistas e admiradores da arte e terá na cenografia, o premiado Gelson Amaral. Localizado na Av. Celso Garcia Cid, 1342, o Cabaré vai ser palco de shows de nomes nacionais como Zélia Duncan, Paulinho da Viola e Ângela Rô Rô e também de bandas locais como Banda Madeira, Set Satelite e Mamaquilla.
Tradicionalmente, o Filo é uma vitrine cultural que reverbera que há de melhor na área das artes cênicas. Neste ano, traz pela primeira vez ao Brasil as seguintes atrações internacionais: Akhe Group, da Rússia, que apresenta nos dias 16 e 17, e Maureen Fleming, dos Estados Unidos, com ''After Eros'', nos dias 11 e 12, ambos no Teatro Ouro Verde. Outros destaques da programação internacional são ''Salt'', do Odin Teatre, da Dinamarca, dias 9, 10 e 11, na Casa de Cultura e ''A Luta do Negro e dos Cães'', do Volksbuhne, da Alemanha, dias 7 e 8 no Ouro Verde. ''Sempre buscamos contemplar a diversidade e a qualidade nos espetáculos. Na parte dos nacionais, não teremos nenhuma estréia, mas o público de Londrina vai ter a oportunidade de ver espetáculos consagrados'', garantiu Bertipaglia.

Serviço:
- Festival Internacional de Londrina de 03 a 19 de junho. Ingressos à venda na Bilheteria Central do Shopping Royal Plaza (Rua maranhão, 240). Espetáculos: R$ 10,00 (estudantes e aposentados pagam R$ 5,00). Cabaré: R$ 20,00 (estudantes e aposentados pagam R$ 10,00).

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