O Festival de Música de Londrina chegou à 20ª Edição trazendo um currículo que, no decorrer dos anos, modificou o cenário melódico da cidade. Por seu intermédio, a Orquestra da Universidade Estadual de Londrina foi criada e vários músicos se desenvolveram. O evento se destacou nacionalmente e alcançou dimensões internacionais com a presença de instrumentistas estrangeiros – ou pesquisadores que desenvolvem trabalhos no exterior –, além de contribuir para a formação do público.
No início, a realidade era outra. Para lembrar os primórdios e as conjunturas que resultaram na primeira edição do Festival de Música, a Folha reuniu dois nomes que tiveram influência direta na criação: o maestro Othonio Benvenuto e a professora de canto Walkyria Ferraz. Em clima de bate-papo, ambos lembraram histórias e sufocos de um trabalho que já alcançou 21 anos de estrada.
Entre os fatores que colaboraram para o início do Festival, está a apresentação, em 1978, do Duo Morozowicz em Londrina. Composto por Norton e Henrique Morozowicz, o Duo realizou um concerto durante as comemorações dos 25 anos do Conservatório Musical da cidade.
‘‘Eu sou amiga de toda a família Morozowicz em Curitiba. Nós programamos a apresentação do Duo no Ouro Verde. Foi a primeira vez que Norton Morozowicz veio a Londrina’’, lembra Walkyria Ferraz. Segundo a professora, a apresentação reuniu cerca de mil pessoas.
Um ano depois, Walkyria recebeu um telefonema de Norton perguntando se ela ajudaria a sediar, em Londrina, um festival de música barroca. Dirce Lejambre era coordenadora de Ação Cultural da recém-criada Secretaria Estadual de Cultura pelo governador Ney Braga – cujo secretário era Luiz Roberto Soares. Lejambre tinha um projeto para realizar um festival de música barroca em Antonina, e havia convidado Norton Morozowicz para coordená-lo. O músico argumentou que Londrina tinha mais estrutura, e sugeriu a mudança.
Na época, o maestro Othonio Benvenuto já morava na cidade, e conhecia Norton do Rio de Janeiro – ambos se apresentaram juntos pela Orquestra Sinfônica Brasileira. Benvenuto era professor da Universidade Estadual de Londrina, e conseguiu o apoio da Casa de Cultura da UEL para o evento. Com a união de forças surgia, em 1979, o Festival de Música Barroca.
O evento trazia alguns cursos: de Música e Dança Antigas, ministrados por Helder Parente, membro do Quadro Cervantes, grupo especializado em música antiga e renascentista. O curso de flauta foi ministrado por Norton Morozowicz; de Coral, por Othonio Benvenuto – que também era professor de Música para Leigos – e Piano, por Homero Magalhães. ‘‘Foi modesto, mas teve uma abragência incrível, conseguimos envolver a história e a região. Uma das características é que o evento já se desenvolvia como ensino e produção’’, recorda Benvenuto.
Os concertos e aulas se espalharam pelo Ouro Verde, Mãe de Deus, Casa de Cultura – que ficava no Edifício Júlio Fuganti – e Associação Médica de Londrina. ‘‘Em todo o momento houve um engajamento completo, a cidade foi mobilizada’’, argumenta Benvenuto.
‘‘Foi trabalhoso, eu me lembro que saí correndo para levar alguns integrantes do Quadro Cervantes até a rodoviária. Tive que colocar todos dentro da minha Caravan – havia um instrumento enorme que parecia um cello – e correr’’, recorda Walkyria Ferraz.
Entre as pessoas que colaboraram com o surgimento do Festival, segundo o maestro Norton Morozowicz, estão ainda os jornalistas Edilson Leal e Dulcinéia Novaes. ‘‘O Edilson foi importante porque deu ênfase na divulgação, e a Dulcinéia começava a se destacar nas entrevistas’’, assegura.
No ano seguinte, o evento foi desvinculado da música barroca, sendo renomeado, em sua segunda edição, como Festival de Música de Londrina.

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