Festival sem tietagem
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de maio de 1997
Zeca Corrêa Leite Sucursal de Curitiba 
Vem aí o 2º Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba. A certeza do evento foi evidenciada na noite de anteontem, durante a sessão de entrega dos prêmios aos vencedores da primeira versão do festival, no Cine Ritz. A sala estava lotada, apesar do horário da festa - o anúncio dos premiados começou por volta das 23h30, devido a uma pane no sistema elétrico que deixou o cinema às escuras até quase 22 horas. Só aí teve início a sessão do filme Baile Perfumado, agendado para as 19h30.
Para mim festival tem que ser de trabalho. Não acredito em festival de tietagem, disse Cloris de Souza Ferreira, mentora e diretora executiva do FCVC, que lutou contra tudo e contra todos, literalmente, para colocar em pé um evento que desde o início foi marcado pelo sucesso. A falta de tietagem e a sobra de trabalho foi a resposta que deu a alguns setores que reclamaram a presença de artistas famosos no encontro.
Cloris disse à Folha2 que quando dirigiu o Museu da Imagem e do Som notou que não havia listagem dos talentos paranaenses na área do cinema. Comecei a pesquisar e vi que faltava estímulo a essas pessoas. Daí quis fazer um festival grande, com o melhor que nós temos em nível nacional para os iniciantes terem parâmetros para crescer.
Assim que o FCVC começou a ganhar vulto, Cloris pensou que faltariam adesões. Na categoria de filmes competitivos esperava um máximo de 30 trabalhos. Chegaram 180. Imaginava que seriam inscritos uns dez roteiros; chegaram 60. As oficinas tiveram as vagas totalmente preenchidas 15 dias depois de abertas as inscrições. Aí tive certeza do sucesso. Conseguimos.
A diretora executiva espera para a segunda edição uma qualidade ainda maior. Esse é o desafio. Quero manter o que deu certo e aprimorar nos pontos que falhamos. A minha busca é a qualidade, porque a falta dela é como descer degraus e eu quero subir, comentou.
Sistema Dolby StereoAs críticas vieram de todos os lados contra as condições do Cine Ritz. Isso prova que Curitiba deve repensar e investir em seus espaços, observou Cloris. A sala pertence à Fundação Cultural de Curitiba, à qual sou muito agradecida. Vou lutar para que em 1998 esse cinema tenha instalado um sistema Dolby Stereo, frisou.
O sucesso da experiência - inclusive as várias discussões serão desdobradas em novos encontros, como o 1º Fórum de Organizadores de Festivais, que será oficializado no próximo Festival de Gramados, e terá reuniões trimestrais - levou Cloris a anunciar um plano para o futuro: a criação de uma escola de cinema voltada aos cineastas, videomakers e profissionais do gênero do Mercosul.


