Festival se superou
FESTIVAL SE SUPEROU
Nitis Jacon faz balanço positivo da edição que termina e planeja o Festival
de Todas as Artes para o ano 2000
Jackeline Seglin
Mario CesarPara Nitis Jacon, shows no Cabaré atraíram público também para os teatros: foi um casamento perfeitoJá nos preparativos para o evento de 1999, a organização do Festival Internacional de Londrina fez ontem o balanço da 31ª edição, que terminou domingo com uma apresentação para mais de mil pessoas às margens do Lago Igapó.
A diretora do festival, Nitis Jacon de Araújo Moreira, demonstrou satisfação ao comentar o resultado do Filo 98. Este ano, a organização se superou. Foi um festival muito tranquilo, sem maiores problemas. E com grandes espetáculos. Não tivemos nada de médio nível. Todos foram bons.
Um público de aproximadamente 30 mil pessoas assistiu a 57 atrações de 11 países. Além dos espetáculos, o Filo 98 realizou demonstrações de trabalhos, lançamentos de livros, a exposição de fotos de Haruo Ohara e duas reuniões: uma da Rede Mercosul Cultural e outra da Rede de Promotores Culturais da América Latina e do Caribe. Nesta última, representantes da Argentina, Uruguai, Paraguai e do Brasil (Londrina, Campinas, Parati e Salvador) discutiram reformulações na Rede, como a instalação da sede fixa em Londrina e a criação de núcleos regionais (o Brasil faz parte da regional sul junto com Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai).
Como já foi batido e reconhecido, o Cabaré foi o grande destaque do Filo neste ano. Chegou mesmo a roubar a cena. Houve até quem afirmasse que as atrações do espaço ofuscaram o brilho dos espetáculos teatrais e que a ênfase dada à parte musical descaracterizou o evento como um festival de teatro. Nitis lembrou, primeiramente, que o Festival Internacional de Londrina está se expandindo e a intenção é envolver, cada vez mais, outras áreas além do teatro. Nossa meta para o ano 2000 é realizar o Festival de Todas as Artes.
Para a diretora do evento, a frequência de público nos espetáculos não diminuiu por causa do Cabaré. Pelo contrário. O festival deste ano superou as expectativas. Tivemos um público maior nos teatros, com casa cheia na maioria das apresentações, argumenta. Nitis alegou que o Cabaré se destacou por ser novidade. E acabou incentivando a procura pelos espetáculos. Foi um casamento perfeito.
Na opinião de Nitis Jacon, o Cabaré abriu as portas para pessoas que não participam do festival. Muita gente começou a assistir às apresentações do Filo depois que foi ao Cabaré, observou. Portanto, a permanência do Cabaré no Filo 99 é certa. É difícil imaginar como fazer um festival melhor que esse, disse.
Todos os anos, o Festival Internacional de Londrina esbarra em um problema: falta de dinheiro. Para não ultrapassar o limite do orçamento deste ano - R$ 1.200 milhão para as mostras nacional e internacional - Nitis Jacon disse que a organização teve que cortar atrações, como o show de abertura, e reduzir o número de grupos convidados. Para a diretora do festival, o Filo 98 teve saldo positivo. Acho que conseguiremos pagar todas as contas.
Por outro lado, o Filo fez um forte investimento em mídia, o que ocorreu em anos anteriores, porém, em menor escala. Mas não seria interessante investir mais em espetáculos, como os de rua, que sempre foram uma grande propaganda do Filo? Nitis respondeu que com o grande apoio que obteve dos órgãos de imprensa nesta edição do festival, o gasto com a mídia foi menor que o previsto. Conseguimos pagar tudo com a renda da bilheteria, ou seja, R$ 40 mil. E olha que o ingresso é muito barato. O festival não tem interesse em lucrar com bilheteria.
Nitis comentou ainda que houve uma avaliação sobre a importância da divulgação de um festival deste porte em nível nacional. Com a colaboração da imprensa, a cobertura do Filo foi muito boa e isso é importante.
Quanto aos espetáculos de rua, Nitis diz que sua intenção é trazer mais convidados. Este ano tivemos nove apresentações. Com certeza queremos ampliar, mas precisamos de mais dinheiro. Para trazer montagens de rua, geralmente há o problema de elencos numerosos e isso fica caro, alega.
A comissão organizadora já está sondando as atrações para o Filo 99. A idéia é manter o nível do evento, incluindo outras formas de arte.





