O público que lotou o Centreventos Cau Hansen, na noite de gala do Festival de Dança de Joinville, na última segunda-feira, teve a rara oportunidade de ver no mesmo palco uma seleção de grandes bailarinos brasileiros. São profissionais da dança que já desenvolvem carreira em companhias nacionais e estrangeiras e que em sua história tiveram uma passagem pelo festival ao longo dos últimos 25 anos.
Sob a direção artística de João Wlamir, diretor assistente do Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o espetáculo idealizado para comemorar o jubileu de prata do Festival de Dança foi conduzido pelo carismático Cícero Gomes, melhor bailarino da 23 edição do festival.
Guiado por Gomes, o público viu passar pelo Centreventos uma sequência de apresentações cujo nível técnico e artístico demonstram que o Festival de Dança de Joinville é palco para muitos daqueles que, como as estrelas da noite de gala, virão a tornar-se grandes profissionais. E para tornar o momento ainda mais especial, a noite teve também a presença de Cecília Kerche.
Com Flammes de Paris, a melhor bailarina da edição passada, Ammanda Rosa abriu a série ao lado do melhor bailarino de 2006, Irlan Santos. Mariana Dias e Martin Chaix, do Leipzig Ballet, da Alemanha, apresentaram Au' Revoir à L' Amour, de Chaix. Em Perpettum Mobile, a bailarina do English National Ballet Fernanda Oliveira provocou suspiros na platéia, ao lado de Fabian Reimair, da mesma companhia.
Na suíte do balé O Corsário, a primeira bailarina do Municipal do Rio, Márcia Jaqueline, que participa do festival desde 1993, dançou o grand pas de deux ao lado de Bruno Rocha, acompanhados pelo corpo de baile da Escola Estadual de Danças Maria Olenewa. A escola que é a principal formadora de bailarinos para o Theatro Municipal do Rio é outra que sempre marca presença em Joinville.
Na segunda parte do espetáculo, Cícero Gomes seguiu seu papel de mestre de cerimônias com a variação do Bobo da Corte, do 3º ato de O Lago dos Cisnes. E do Balé da Cidade de São Paulo, Andrea Thomioka e Israel Alves fizeram uma releitura do clássico O Lago dos Cisnes, na coreografia de Sandro Borelli.
Na Dança Russa, do 2º ato de O Quebra Nozes, a participação dos alunos da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil teve um pequeno incidente. A apresentação que seguia bem terminou com uma das bailarinas sem uma parte da saia que compunha o figurino.
Com Andreza Randisek e Rodrigo Guzmán, primeiros bailarinos do Ballet do Teatro Municipal de Santiago, do Chile, a suíte do balé A Megera Domada deu um tom de humor à festa. Em seguida, Mariana Dias e Martin Chaix voltaram ao palco com o pas de deux de Adão e Eva, do balé A Criação.
Com técnica e expressão cativantes William Pedro, solista do Béjart Ballet Lausanne, da Suíça, ofereceu um espetáculo à parte com Und So Weiter, de Maurice Béjart, sobre de música de J. Strauss. E o grande final ficou por conta de Cecília Kerche e Vitor Luiz, primeiros bailarinos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com participação da Escola Estadual de Danças Maria Olenewa, na suíte do Balé Don Quixote.
Sempre presente no Festival de Dança de Joinville seja no palco ou como jurada, Cecília Kerche, mais uma vez emprestou seu prestígio à festa que reuniu talentos incomparáveis da dança brasileira.
O Festival de Dança de Joinville começou no último dia 18, com a apresentação do bailarino Mikhail Baryshnikov e a companhia Hell's Kitchen Dance, e segue até o próximo sábado.

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