Arquivo FolhaCloris Ferreira pagou os 22 premiados que ainda não tinham recebido e apresentou os prêmios da nova edição, que incluem até um carroSimone Mattos
Há pouco mais de uma semana do início da terceira edição do Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba, a organização do evento, finalmente, conseguiu quitar as pendências financeiras da edição anterior. Vinte e dois premiados, o que representa um valor de R$ 88 mil, receberam os valores merecidos com quase um ano de atraso. A edição 1999, que acontecerá na próxima semana, de terça-feira a domingo, promete um festival mais enxuto e condizente com a realidade econômica nacional.
Numa carta entregue à imprensa, a organizadora do evento, Cloris Ferreira, esclarece que em nenhum momento cogitou-se o não pagamento dos prêmios de 1998. Ela informa que ‘‘o mesmo não se deu no prazo adequado não por outra razão que o cancelamento de um patrocínio às vésperas da 2ª edição do festival’’.
Na carta, Cloris diz ainda que ‘‘muito humildemente, a organização do festival, após quitar suas dívidas com todos os premiados, admite o erro e assume o ônus de sua consequência’’. Os problemas financeiros que marcaram a edição 1998 do evento fizeram com que a terceira edição do festival fosse reduzida.
‘‘Devido às dificuldades do País, não dá para delirar’’, afirma. Cloris garante que ‘‘o festival diminuirá em tamanho, mas não em qualidade’’. A principal mudança, segundo explica, é que o número de prêmios cairá de 22 para quatro. ‘‘E todos já estão aqui’’, garante.
O melhor filme receberá um carro e o melhor vídeo será contemplado com uma câmera de vídeo. Na categoria Festival dos Festivais, que recebe inscritos que já foram premiados como melhor filme e melhor vídeo, os prêmios serão, respectivamente, passagens aéreas para Nova York e Buenos Aires.
Além destes prêmios, os inscritos também irão concorrer ao troféu Aramis Milarch, que contempla a todas as categorias e é concedido pela crítica especializada, além do troféu Ruy Guerra - Prêmio de Integração Cultural - que conta com os votos do público. ‘‘É bom que as pessoas se conscientizem de que podem e devem votar ao final de cada exibição, elegendo os filmes que mais os sensibilizaram, independente da categoria a que concorrem’’, explica Cloris. Ela afirma que isto não aconteceu nas outras edições, talvez por desconhecimento do público.
O Prêmio Estímulo Copel contemplará ainda o melhor roteiro paranaense de curta-metragem. Os vencedores receberão R$ 15 mil em dinheiro e R$ 6 mil em material, além da mixagem e finalização do trabalho, cedido pelo CTAV Funarte.
Entre as atrações que promete para esta edição do festival, Cloris destaca o lançamento local do filme ‘‘Tiradentes’’, de Osvaldo Caldeira, com Humberto Martins no elenco. ‘‘O ator Paulo Autran também estará aqui, representando o filme ‘O Enfermeiro’, baseado em contos de Machado de Assis, e do qual é protagonista’’, garante.
Para realizar a terceira edição do evento, que pretende reunir um público de 15 mil pessoas, a organização diz já ter captado cerca de R$ 280 mil junto a empresas, através de leis de Incentivo. Cloris comenta que o festival está batendo um recorde nacional neste ano, já que registrou 223 inscritos nas mostras competitivas. ‘‘Nenhum festival regional de cinema consegue um número assim’’, diz. Ela compara com as outras duas edições do festival de Curitiba, que tiveram dez e 80 inscritos, respectivamente.
Além da mostra competitiva, o evento ainda apresentará oficinas técnicas, onde onze temas serão ministrados por profissionais da área, com linguagem própria para atender aos iniciantes. Entre as atividades, dois cursos serão inéditos: Direção de Arte e Cenografia, ministrado por Luís Rossi, e Continuidade e Assistência de Direção, por Eduardo Aguillar.
A terceira edição do Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba, que acontecerá de 4 a 9 de maio, terá todas as suas atividades centralizadas no Shopping Center Novo Batel. Mais informações pelo fone (041) 324-4040.

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