A 36 edição do Festival Internacional de Londrina termina hoje, da mesma maneira que começou no dia 9 de maio. Isto é, com dança. Quem faz o mise-en-scène final ao público do Filo, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde é a Verve Cia. de Dança, de Campo Mourão. É a 13 apresentação do espetáculo ''(C2H4)n - Plástico'', que consumiu um ano e oito meses de pesquisa até chegar ao formato pretendido pelo diretor e coreógrafo Fernando Nunes. Multimídia, a montagem funde dança com outras linguagens como a computação gráfica, música eletrônica e vídeo numa viagem de grande impacto visual.
A matéria-prima do espetáculo é o plástico. Em cena, sete bailarinos vão disparar leituras múltiplas de um dos elementos mais utilizados na sociedade atual cujas utilidades estarão fragmentadas em figuras de linguagem metáfora, por exemplo. ''A gente não tem noção da importância do plástico no nosso dia-a-dia. Foi uma das grandes descobertas do século passado. Ao mesmo tempo que é util é também poluente. Fiquei fascinado com essa contradição'', analisa o diretor Fernando Nunes.
''(C2H4)n - Plástico'' fórmula de um polímero que forma o plástico tem tudo para surpreender o público, principalmente pela quantidade de informações, complexas diga-se. ''Trabalho com muitos signos do cotidiano, mas isso não levo nada mastigado para a platéia'', avisa Fernando Nunes. O plástico é também o material mais presente no cenário das ''vitrines'' individuais, piso e até a estrutura de luz.
Ao mesmo em que apresenta algumas das muitas utilidades do plástico, a Verve Cia. de Dança também inclina o espetáculo à realidade e ânsias da sociedade moderna. Uma das reflexões mais fascinante e ao mesmo tempo perturbadora é por que os seres humanos não são tão duráveis quanto o tema escolhido como mote pela companhia. ''Nós queremos durar tanto quanto uma garrafa pet'', provoca Fernando Nunes. ''Se Deus criou o homem à sua semelhança, o homem também criou o plástico à sua semelhança'', instiga.
Dança, teatro, música e tecnologia se articulam de forma dinâmica em ''(C2H4)n -Plástico''. Um dos artifícios curiosos para impactar visualmente o público e consequentemente distribuir mais e mais informações é o uso de microcâmeras na cabeça de bailarinos. Em tempo real, imagens do que acontece em cena e também nos bastidores são projetadas em telões uma espécie de visão extra-dança. A trilha sonora foi composta com exclusividade pelo músico inglês Chris Virne, radicado atualmente em Londrina.
''(C2H4)n -Plástico'', quarta montagem da Verve Cia. de Dança, teve apresentação prévia em novembro do ano passado em Curitiba. O estréia oficial ocorreu em Maringá, entre os dias 9 e 10 de maio em seguida a trupe fez temporada de duas semanas, de 15 a 25 de maio, no Teatro Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. No dia 11 de junho, a Verve Cia. de Dança leva a nova montagem para o Festival Puerta de America, no México.
Além de levar o espetáculo Brasil fora, a companhia também irá, a partir de agosto, se apresentar no exterior em países como Espanha, Peru, Colômbia e Argentina. ''(C2H4)n -Plástico'' foi concretizado através de recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Campo Mourão e também da Lei Rounaet, via Brasil Telecom.
FICHA TÉCNICA
''(C2H4)n - Plástico'', com a Verve Cia. de Dança, de Campo Mourão. Concepção e direção das coreografias: Fernando Nunes. Intérpretes e criadores das coreografias: Mariusa Bregoli, Moacir Colleto, Juliana Pepinelli, Austin Andrade, Gevana Freitas, Pedro Paulo Abudi e Valdir Rocha. Criação, direção e imagens dos vídeos: Fernando Nunes. Edição e computação gráfica: Vladimir Silva. Trilha sonora: Chris Vine.

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