Festival para gregos e troianos
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de janeiro de 1998
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
Leandro Knopfholz: nossa proposta é atender os diversos tipos de públicoDe 21 a 31 de março Curitiba terá praticamente a cada dia uma estréia nacional de teatro, dentro da programação do Festival de Teatro de Curitiba. Nessa leva estarão Tônia Carrero com A Profissão da Senhora Warrer, Paulo Autran e Antonio Fagundes em Sábado, Domingo e Segunda, Renato Borghi em Tio Vania, de Tchecov, e um grupo francês com LPage, espetáculo experimental que causou furor na Europa.
Tempos de palcos e holofotes no 7º Festival de Teatro de Curitiba, que finalmente atinge a consistência desejada, segundo afirma Leandro Knopfholz, um de seus realizadores. Ano passado foi dado um passo decisivo nesse sentido, mas 1998 marca a plenitude.
Agora firmamos de vez nossa proposta de atender aos diversos tipos de público: o da cidade que terá um leque de atrações para escolher, o da mídia que terá assuntos variados todos os dias, o público formado por patrocinadores e aquele formado por empresários nacionais e do exterior cuja finalidade é selecionar e comprar espetáculos.
Montagens locaisO festival está em ritmo acelerado, na fase de fechamentos de datas, acertos finais de exposições, cursos, oficinas, palestras, lançamentos de livros. Aquilo que antes era tomado como evento paralelo passa a ter um peso maior, aproximando-se assim da grade oficial dos espetáculos.
Até mesmo a crítica, sempre presente, de que faltavam montagens locais na programação, deverá ser atenuada. A companhia Satyros faz sua estréia nacional de Ur Fast e o Armazém, de Londrina, comparece com Sob o Sol, em Meu Leito Após a Água. A artista paranaense mais internacional de nossos palcos, Denise Stocklos, comparece com Desobediência Civil.
Alguns dos melhores momentos de 1997 nos palcos curitibanos voltam a ser encenados, como Estou Te Escrevendo de um País Distante e Killer Disney. Eles fazem parte do fringe, uma das novidades deste ano, inspirada em festivais europeus. A iniciativa deu certo - grupos de diversos estados inscreveram-se para se apresentar em horários alternativos, entre eles o consagrado Tapa, de São Paulo.
MonólogosCerca de 40 títulos estarão nas salas da cidade, nos dez últimos dias de março, sendo que os espetáculos infantis se concentrarão no Sesc da Esquina. Os climas da temporada serão variados: terá desde o elegante texto de Bernard Shaw (A Profissão da Senhora Warrer), à diversão circense dos Parlapatões com a colagem de peças de Shakespeare em [email protected] (depois do arrôba vem o nome do grande dramaturgo inglês sem as vogais) e a densidade de O Cortiço (adaptação do romance de Aluísio Azevedo).
A brincadeira poderá ser encontrada ainda em É o Noé, com o grupo Pia Fraus, de São Paulo. O enredo traz um tom surrealista, apesar de divertido - aqueles bichos que Noé não colocou na arca, para se safarem do Dilúvio, contam suas aventuras.
Ao lado dessas atrações, estarão três monólogos que foram programados pela importância que eles representam. São trabalhos imperdíveis, comentou Knopfholz. Não poderíamos deixar passar batidos. São eles Oscar Wilde, com Elias Andreato (que fez Maria Bethânia ir até São Paulo especialmente para assisti-lo), A Dama da Noite, com Gilberto Gabronski e Diário de um Louco, com Diogo Vilella.
ExposiçõesTrês exposições marcantes deverão chamar a atenção do público. A principal delas é a do cenógrafo e figurinista Flávio Império, montada no Sesc Pompéia, em São Paulo; a outra será da atriz Dina Sfat, falecida há dez anos, e a terceira do cenógrafo Ciro Del Nero. Os locais estão sendo definidos.
Knopfholz acredita que o lançamento de livros também chegou ao ponto ideal da receita. Faremos uma minifeira de lançamentos, explica. A idéia é juntar numa só manhã - possivelmente no Memorial de Curitiba - autores, atores e músicos promovendo assim performances, shows, leituras. Estão confirmadas até o momento as presenças de Rosa Magalhães, Clovis Levy, Lélia Abramo e Dias Gomes.


