FESTIVAL
O suingue que a Paula tem
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quarta-feira, 28 de maio de 2003
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Olha só que privilégio. No show que fará hoje à noite, no Cabaré do Festival Internacional de Londrina, a cantora Paula Lima irá cantar pela primeira vez ao público três canções do seu mais recente disco, cuja divulgação está acontecendo por esses dias. São elas: ''Gafieira S.A.'' (Seu Jorge) e duas de Jorge Benjor (''Bom Mesmo é Amar'' e ''Meu Guarda-Chuva''). Um luxo só! No palco, a figura deslumbrante dessa bela mulher cujo vozeirão e suingue vêm cativando cada vez mais gente de todas as linhagens, entre elas o crítico e produtor musical Zuza Homem de Mello que a incensou no material de divulgação do disco.
Sim, os holofotes estão focados em Paula Lima. É a cantora da vez. Só que, diferentemente de certos meteoros, veio para marcar presença através de um trabalho com forte sotaque de soul music. Os mais entusiasmados já a chamam de diva. Ela, claro se envaidece, mas vai logo avisando: ''Quem vai ao meu show e tem uma visão errada de diva, vai sacar qual é a minha. Tenho os pés no chão, adoro o calor humano, coisas que divas normalmente não gostam'', disse ela em entrevista à Folha2, por telefone.
Portanto, o show de hoje é voltado para a alegria. Junto com ela, um time considerável de músicos: Walmir Gio (trumpete), François (trombone), João Cristal (piano), Guto e Beto (percussão e integrantes da escola de samba paulistana Vai Vai), Walmir Borges (violão e guitarra), Edu Salmaso (bateria), Aldo (backing vocal) e Carlinhos Noronha (baixo).
O repertório vai congregar também canções como ''Mangueira'', ''Quero Ver Você no Baile'', ''É Isso Aí'', releitura de ''Deixa Isso Pra Lá'' e uma ''surpresa'' do Tom Jobim. O que esperar da noitada? Paula Lima responde com todo charme e simpatia: ''Uma banda completa, muito suingue e uma cantora muito a fim de estar perto desse público que não conheço. Será um show dançante com um sorriso no ar''. Hum!
Quanto ao disco novo, é bom ir reservando um dinheirinho para dar conta de um trabalho cheio de verdades. Ao mesmo tempo em que há um lado convencional, ''Paula Lima'' tem um estofo alternativo. Não é um CD deslumbrado. Ao contrário: os metais são usados com parcimônia e servem de suporte para o timbre morno, correto, vivo e sem maneirismos exagerados de cantores da soul music. Paula Lima passeia com desenvoltura em vários estilos. ''Sou tudo. Sou samba, jazz, funk, soul, hip hop. São manifestações verdadeiras em mim'', frisa.
O romantismo está representado em ''Foi para o Seu Bem'' (Lincoln Olivetti- Robson Jorge), gravada originalmente por Tim Maia e que agora contornos de samba-canção. Outras maravilhas estão diluídas no disco, como ''Meu Guarda-Chuva'' (Jorge Benjor) com vocalise delicioso e um suingue que convida a se mexer; a onomatopaica ''Pactocombaco (Eugênio Dale); uma curiosa, mas não menos interessante versão de Carlos Rennó para ''Moonlight Serenade'', de Glen Miller; e possível autobiográfica ''Sou Guerreira'' (Paula Lima-Seu Jorge-Zé Ricardo''. Agora, ''Bom Mesmo é Amar'' (Jorge Benjor) e ''Segunda Via'' (Marcos Xuxa Levy-Walmir Borges-Dudu Falcão'' é tudo de bom.
Mesmo contratada por uma grande gravadora a Universal Music a cantora paulistana não cedeu aos apelos fáceis do mercado fonográfico. Ao seu lado, Guto Graça Mello, um produtor que consegue sacar qual é a dos artistas com quem trabalha. ''Não mudei em nada minha personalidade musical. Continuo não apelando. Se procurasse status fácil, cantaria qualquer coisa'', diz categórica. Pelo contrato, a cantora, ex-integrante do grupo Funk Como Le Gusta, tem que entregar outros dois álbuns para a gravadora.
E daí que ''Paula Lima'', o disco, é para ser apreciado aos poucos. Há nuances, sutilezas sonoras e vocais que podem passar despercebidos numa primeira ouvida. É um disco dançante por natureza. Mas não caia no vedetismo barato de sacar o trabalho só por essa ótica há muito com que se deixar envolver, principalmente a voz robusta dessa moça musicalmente bem resolvida.


