O Festival Nacional de Cinema e Vídeo do Ceará (Cine Ceará), que ocorre de 22 a 28 de junho, pretende ir ao encontro do público em praças públicas, no sertão ou até mesmo em um presídio de Fortaleza. Pelo menos é com esta proposta de confirmar sua condição de festival popular - mais do ponto de vista da platéia do que das obras exibidas - que o evento chega este ano à sua 11ª edição.
A estratégia de levar o cinema ao público - e não o contrário - fez com que este ano até o presídio feminino Auri Moura Costa entrasse no roteiro do festival.
Uma sessão de ‘‘Eu, Tu, Eles’’, de Andrucha Waddington, foi programada para as 133 internas do presídio. Antes, será exibido o curta ‘‘O Prisioneiro’’, de Erick Lawrence, rodado na própria penitenciária. Outra locação inusitada escolhida pelo festival foi um abrigo de idosos - a maioria deles nunca foi ao cinema.
Além disso, serão realizadas sessões em praça pública em pelo menos cinco bairros da periferia de Fortaleza. Os organizadores planejam ainda levar o festival ao interior do Estado, onde praticamente não há mais salas de cinema.
O público infantil também será beneficiado com a proposta de popularização do festival. A mostra ‘‘O Primeiro Filme a Gente Nunca Esquece’’, dedicada às crianças, será ampliada este ano. Serão três sessões - antes seria apenas uma - no cinema São Luiz, somente para alunos da rede pública de ensino.
O diretor-executivo do festival, Wolney Oliveira, diz que a intenção do Cine Ceará é conjugar o aumento do público de cinema no Estado com um trabalho social.
‘‘É um trabalho de formação de platéia e, se não for dessa forma, esse povo não vai ter acesso ao cinema nunca’’, afirma Oliveira.
Ele lembra que o Cine Ceará é o único dos quatro grandes festivais de cinema do país - os demais são os de Gramado, Brasília e Recife - com entrada gratuita em todas as suas atividades, desde a exibição de filmes até palestras e workshops.
Para isso, o evento conta com um patrocínio de R$ 700 mil, a maior parte bancada pelo governo do Estado - R$ 400 mil.
Outra novidade é que, a partir deste ano, a mostra internacional de filmes será substituída por uma retrospectiva dedicada a um país com filmes que ‘‘dificilmente emplacam aqui’’, como afirma Oliveira. O primeiro país homenageado será Cuba, com seis filmes programados. No ano que vem, será a vez do Peru. Os organizadores decidiram também instituir uma mostra competitiva de longas nacionais, para a qual foram selecionados seis filmes.

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