Festival no Ceará quer levar cinema ao povo
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terça-feira, 12 de junho de 2001
Ronaldo Soares Agência Folha 
O Festival Nacional de Cinema e Vídeo do Ceará (Cine Ceará), que ocorre de 22 a 28 de junho, pretende ir ao encontro do público em praças públicas, no sertão ou até mesmo em um presídio de Fortaleza. Pelo menos é com esta proposta de confirmar sua condição de festival popular - mais do ponto de vista da platéia do que das obras exibidas - que o evento chega este ano à sua 11ª edição.
A estratégia de levar o cinema ao público - e não o contrário - fez com que este ano até o presídio feminino Auri Moura Costa entrasse no roteiro do festival.
Uma sessão de Eu, Tu, Eles, de Andrucha Waddington, foi programada para as 133 internas do presídio. Antes, será exibido o curta O Prisioneiro, de Erick Lawrence, rodado na própria penitenciária. Outra locação inusitada escolhida pelo festival foi um abrigo de idosos - a maioria deles nunca foi ao cinema.
Além disso, serão realizadas sessões em praça pública em pelo menos cinco bairros da periferia de Fortaleza. Os organizadores planejam ainda levar o festival ao interior do Estado, onde praticamente não há mais salas de cinema.
O público infantil também será beneficiado com a proposta de popularização do festival. A mostra O Primeiro Filme a Gente Nunca Esquece, dedicada às crianças, será ampliada este ano. Serão três sessões - antes seria apenas uma - no cinema São Luiz, somente para alunos da rede pública de ensino.
O diretor-executivo do festival, Wolney Oliveira, diz que a intenção do Cine Ceará é conjugar o aumento do público de cinema no Estado com um trabalho social.
É um trabalho de formação de platéia e, se não for dessa forma, esse povo não vai ter acesso ao cinema nunca, afirma Oliveira.
Ele lembra que o Cine Ceará é o único dos quatro grandes festivais de cinema do país - os demais são os de Gramado, Brasília e Recife - com entrada gratuita em todas as suas atividades, desde a exibição de filmes até palestras e workshops.
Para isso, o evento conta com um patrocínio de R$ 700 mil, a maior parte bancada pelo governo do Estado - R$ 400 mil.
Outra novidade é que, a partir deste ano, a mostra internacional de filmes será substituída por uma retrospectiva dedicada a um país com filmes que dificilmente emplacam aqui, como afirma Oliveira. O primeiro país homenageado será Cuba, com seis filmes programados. No ano que vem, será a vez do Peru. Os organizadores decidiram também instituir uma mostra competitiva de longas nacionais, para a qual foram selecionados seis filmes.


