FESTIVAL MANTÉM FORMATO ENXUTO
GRAMADO 2000 FESTIVAL MANTÉM FORMATO ENXUTO Apesar do controle de gastos, organização do evento descarta a possibilidade de perda de qualidade ReproduçãoEsdras Rubin, diretor do Festival: Se os custos aumentam e os patrocinadores são em menor númeroReproduçãoO argentino Los Libros y la Noche, documentário-ficção sobre Jorge Luís Borges, é um dos prováveis participantes latinos Carlos Eduardo Lourenço Jorge De Londrina Especial para a Folha 2 O 28º Festival de Gramado - Cinema Brasileiro e Latino, vai manter este ano a fórmula austera do ano passado. Novamente serão seis dias de programação de 31 de julho a 5 de agosto. Inicialmente previsto de 7 a 12 de agosto, o festival acabou antecipado porque uma montadora praticamente alugou toda a cidade naquele período para o lançamento nacional de um veículo. O formato mais enxuto volta a vigorar por razões principalmente econômicas. O orçamento para a próxima edição equivale mais ou menos ao anterior, alguma coisa em torno de R$ 1,5 milhão. Pelo menos este número fica mantido já que a crise financeira do país no início de 1999 tinha sido responsável por um corte de R$ 400 mil reais em a 1998. Apesar do controle de gastos, que acaba gerando malabarismos na montagem de uma programação tradicional como a de Gramado, o diretor do festival, Esdras Rubin, não trabalha com a hipótese de perda de qualidade. Se os custos aumentam e os patrocinadores são em menor número, o esforço tem ser redobrado, disse ele à Folha2, durante o 2º Festival de Cine del Mercosur, realizado no final de fevereiro no balneário uruguaio de Punta del Este. O que muitos não sabem é que o Festival de Gramado foi durante muitos anos mostra de uma semana só, começando na segunda e terminando no sábado à noite. Ao retomar suas origens, em 99, acabou agradando a todos, acrescentou Rubin. De fato, com um final de semana a menos, a organização conseguiu eliminar despesas significativas com alimentação, hospedagem e transporte terrestre. O lado festivo também teve o cinto apertado. Menos convidados, menos festas, pouca gente famosa circulando, quase nenhuma badalação. Alguns reclamam de perda de glamour, mas Esdras Rubin tem outro enfoque: Em 99, as circunstâncias valorizaram ainda mais a competição. Antes, com o formato maior, muitas pessoas que estavam envolvidas com o cinema ficavam em segundo plano, o já que deixou de ocorrer. E existem as pressões. Alguns setores da produção nacional defendem para Gramado a volta de uma vitrine exclusivamente dedicada ao filme brasileiro. Mas Rubin se mantém firme, e considera a latinização do festival uma conquista para o cinema do continente como um todo: A cada ano que passa nota-se uma integração maior com os países latinos. A troca de problemas é muito maior do que a troca de experiências e possíveis soluções. Estamos quase todos irmanados nas mesmas dificuldades, e o conhecimento mútuo é importante e nos ajuda a buscar forças para continuar. Gramado já está integrado aos mais importantes festivais que se realizam na América de língua latina. E isto só pode beneficiar o cinema brasileiro. Para a 28ª edição, daqui a cinco meses, devem ser mantidos nove longas metragens em competição, sendo 3 brasileiros. O critério de seleção através de convite da curadoria também fica mantido. Já os curtas nacionais, sempre valorizados, passam por uma comissão de seleção. Três longas latinos despontam como possíveis selecionáveis: Sangue, Pudor y Lágrimas, divertida comédia de costumes que revê e atualiza o conceito de dramalhão mexicano; um belo e sensível documentário-ficção argentino sobre o grande Jorge Luis Borges, Los Libros y la Noche; e um denso resgate dos anos de chumbo da ditadura argentina, Garage Olimpo. E a personalidade que este ano recebe o Troféu Oscarito é o ator Paulo José. A programação integral de Gramado-2000, ainda em montagem, só deve ficar pronta em julho.





