Uma campanha para sensibilizar os empresários a investir em cultura, através de mecanismos de renúncia fiscal, será desencadeada em Londrina nesta temporada. A iniciativa foi lançada ontem durante entrevista coletiva no Hotel Bourbon que reuniu os organizadores do 29º Festival de Música, um delegado da Receita Federal e representantes de instituições patrocinadoras e apoiadoras do evento.
De acordo com o diretor artístico do festival, Marco Antônio de Almeida, a intenção é ''conscientizar os investidores sobre o retorno trazido pela utilização da Lei Rouanet'', legislação federal de incentivo à cultura que permite a dedução do imposto de renda do valor investido em projetos culturais.
A ideia é que não apenas o Festival de Música, mas todos os festivais incluídos no calendário cultural da cidade participem do movimento. ''Todos ganham quando o dinheiro pago em impostos fica no município'', argumentou Almeida.
Sérgio Gomes Nunes, delegado da Receita Federal, lembrou que tanto a pessoa física quanto a pessoa jurídica (empresas tributadas com base no lucro real) podem fazer uso da Lei Rouanet, a primeira podendo destinar até 6% de sua tributação e a segunda até 4%. ''Ninguém será onerado. Trata-se apenas de canalizar para um projeto cultural um valor que iria de qualquer forma para o Banco Central'', enfatizou.
O lançamento da campanha fez contraponto a números desalentadores divulgados durante a entrevista. Almeida revelou que o 29º Festival de Música de Londrina não foi poupado pela crise global. De acordo com ele, o orçamento do evento recuou de R$ 1 milhão para R$ 600 mil em relação à edição do ano passado.
A participação de alunos na grade pedagógica também sofreu um baque. De 1.200 inscritos na última temporada, reduziu-se para 700. ''Muitos estudantes das regiões Norte e Nordeste deixaram de vir alegando não ter dinheiro para as passagens e outras despesas. Tivemos que isentar cerca de 60% dos participantes do pagamento da taxa de inscrição'', contou o diretor artístico do FML.
Para completar a onda de más notícias, o 29º Festival foi contemplado no edital Petrobras Cultural, mas a verba não pôde ser viabilizada por causa de trâmites burocráticos. ''Quando você não pode enfrentar o inimigo, tome chá com ele. Há dias tenho tomado chá com a crise e assim consegui bolar grandes concertos para a programação artística'', assinalou Almeida.

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