O livro ``A Divina Comédia dos Mutantes´´, publicado em 1995 pela editora 34, traz uma passagem bem-humorada sobre o Colher de Chá. Veja o trecho em que o autor Carlos Calado narra a fissura dos músicos pela maconha ao chegarem no local do evento: ``Na segunda semana de fevereiro, os Mutantes começavam a realizar o sonho interrompido após a isolada experiência de Guararema: cair na estrada e, sempre que possível, tocar ao ar livre. Com a compra de um caminhão Chevrolet, novinho em folha e batizado de Tenório, já era possível viajar pelo país carregando o volumoso e pesado equipamento de som da banda. O ponto de partida foi a cidadezinha de Cambé, na região de Londrina no Paraná, sede de um dos primeiros festivais de rock ao ar livre, promovido no país.
Mal encontraram a equipe de produção, Dinho foi logo ao assunto: `Cadê a tal da maconha? Disseram pra gente que aqui vocês só fumam charutos deste tamanho...´. Era verdade. A banda recebeu na hora um enorme `charuto´ e foi se juntar a outros vinte sujeitos, atrás de um ônibus. Fumaram até cansar, morrendo de rir da situação. Minutos depois, já estavam tão viajandões que custaram a entender quando alguns policiais à paisana surgiram de surpresa, dando voz de prisão a todos.
Os restos dos `charutos´ foram devidamente recolhidos e os malucos organizados em uma longa fila. Quando tudo indicava que o próximo passo seria a detenção coletiva, os policiais começaram a olhar para os trinta e tantos cabeludos. Indecisos, coçando as cabeças como se estivessem fazendo cálculos, trocaram algumas palavras entre si e acabaram indo embora sem prender ninguém. Perceberam que não teriam como trancafiar tanta gente e preferiram deixar o dito pelo não-dito. Pelo menos durante o festival, a marijuana tinha acabado de ser liberada na cidade...´´ (N.S.)

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