Rio, 17 (AE) - O cinema Odeon, na Cinelândia, centro do Rio, ficou lotado na noite de ontem (16), na abertura do Festival do Rio. Cineastas, produtores, atrizes e atores foram prestigiar o evento que, até o dia 30 vai exibir cerca de 400 filmes em 20 mostras espalhadas pelos cinemas da cidade. O evento é resultado da fusão do Rio Cine, promovido pelo Centro de Cultura, Informação e Meio Ambiente (Cima), com a Mostra Rio, do Grupo Estação Botafogo. Por isso é anunciado como o maior festival de cinema da América Latina. Pela quantidade e variedade de títulos anunciados, a promessa deve se cumprir.
A festa de abertura foi simples, quase prosaica. O ator Othon Bastos foi o mestre-de-cerimônia e começou brincando com o fato de a maioria dos cinemas de rua estarem se transformando em templos evangélicos. Foi a dica para todos os promotores do evento subirem ao palco, numa grande confraternização. Mas a cerimônia foi curta e terminou com a presença do ator americano Forest Whiteker agradecendo o convite para vir ao Rio. Whiteker, protagonista do filme "Ghost Dog, the Way of a Samury", de Jim Jarmursh, que abriu o festival, é a estrela da primeira fase do evento, que terá ainda a participação do ator Tim Roth e do diretor Carlos Saura.
O primeiro filme exibido na noite foi o curta "Volte Sempre, Abbas", de Renata Almeida e Leon Cakoff., diretores da Mostra de Cinema de São Paulo. "Ghost Dog", que veio em seguida, é daqueles filmes em que os diretores independentes americanos mostram o que existe de pitoresco no lado pobre (e podre) da sociedade americana. A começar pelo protagonista, um matador profissional que baseia sua ética nos samurais, todos os personagens são chinfrins, meio pobres e meio bandidos, cheios de manias esquisitas. A pretexto de discutir modernidade e tradição, o filme usa a violência como recurso estético, em cenas com direção e edição perfeitas, embaladas por música eletrônica. E tudo termina com uma criança distribuindo tiros.
Mas Forest Whiteker deu um show. Na tela, ele carregou o filme nas costas, dando um mínimo de veracidade e muita empatia a seu personagem, uma das muitas caricaturas que passam pela história. Pessoalmente foi solícito e simpático com os repórteres televisivos que o entrevistaram por mais de 20 minutos em sua chegada ao Cine Odeon e com todos que o abordaram na festa que se seguiu à exibição do filme, nos jardins do Palácio Guanabara, sede do governo do Estado do Rio de Janeiro.
O ator americano ficou pouco na festa. Lá, a estrela foi o cineasta Roberto Faria, um dos homenageados do Festival do Rio
com uma mostra dedicada a seus filmes (os outros dois diretores que terão retrospectivas são John Cassevetes e Andrei Tarkovsky). Faria disse estar encantado com a bondade dos amigos
mas não escondeu certa ansiedade com a recepção do público a seus filmes. "Não tenho um título preferido porque gosto de todos os meus filmes", disse ele na festa. "Mas não os revi antes desta mostra."
Até o dia 30 o Festival do Rio prossegue em quase todos os cinemas cariocas (e também de Niterói e Duque de Caxias, no Grande Rio). A principal mostra é o Panorama do Cinema Mundial, que terá as últimas produções de Pedro Amodóvar ("Tudo sobre Minha Mãe"), Ken Loach ("Meu Nome é Joe"), Carlos Saura ("Goya" e "Tango") e Tim Roth ("Zona de Conflito"). Há ainda a mostra Premire Brasil, com estréias de "Mauá, o Imperador e o Rei, Dois Córregos, O Tronco" e "Oriundi" e a Expectativa 99, com os maiores do cinema americano neste ano.

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