São Paulo, 07 (AE) - O Festival do Rio, de 16 a 30, pretende ser o maior evento do gênero na América Latina. Resultado da fusão do Rio Cine e da Mostra Rio, o evento trará cerca de 400 títulos, nacionais e internacionais, distribuídos em 20 segmentos e exibidos em 32 salas do Rio de Janeiro. As programações de abertura e fechamento já estão definidas. O festival começa com "Ghost Dog: The Way of the Samurai", do cult Jim Jarmusch, acompanhado do curta "Volte Sempre, Abbas", de Renata Almeida e Leon Cakoff, que está na programação do Festival de Veneza. A maratona termina com outro filé mignon, "Goya in Bordeaux", do espanhol Carlos Saura, acompanhado pelo curta "Dessert", de Jeff Stark.
No miolo do evento, muita coisa que mereceria o adjetivo de "imperdível" por parte dos cinéfilos. A começar pela seção intitulada Panorama do Cinema Mundial, que privilegia o top cinematográfico que ainda não chegou por aqui, com destaque para concorrentes dos principais festivais. Nesse segmento há atrações do porte de "Todo sobre Mi Madre", de Pedro Almodóvar
"My Name Is Joe", de Ken Loach, "Cos Ridevano", de Gianni Amelio, "Corra, Lola, Corra", de Tom Tykwer, "A Outra", de Youssef Chahine.
Em Expectativa 99, buscam-se obras de novos diretores, considerados as "apostas" a serem feitas na renovação da estética cinematográfica. Destacam-se filmes como "A Bruxa de Blair", de Daniel Myrick e Eduardo Sanchez, o trash mais cultuado atualmente nos EUA, "Following", de Christopher Nolan
sucesso no Sundance deste ano; "El Entusiasmo", do chileno Ricardo Larrain, e "La Vida Es Silbar", do cubano Fernando Perez.
Na seção Premire Brasil, as principais atrações são o épico "Mauá, o Imperador e o Rei", de Sérgio Rezende, "Dois Córregos", de Carlos Reichenbach, "O Dia da Caça", de Alberto Graça, "Oriundi", de Ricardo Bravo, e "O Tronco", de João Batista de Andrade.
O Festival do Rio homenageará alguns cineastas como John Cassavetes e Andrei Tarkovsky, dedicando-lhes retrospectivas bastante abrangentes. Será uma rara oportunidade de conhecer títulos há muito sumidos das telas e sem cópias no País, como é o caso do clássico "Andrei Roublev", de Tarkovsky. Há ainda seções como Midnight Movies, dedicada a filmes "estranhos, bizarros ou malditos", na qual se destaca o brasileiro "Olé!"
trash de Roberto Santucci realizado com meros US$ 25 mil.
A série 2000 Visto Por... constitui uma seção à parte. São dez filmes, produzidos pelo canal francês Arté, feitos por diretores do mundo todo, tendo por tema a virada do milênio, mesmo que, para ser rigoroso, fosse preciso admitir que o milênio só vira mesmo em 2001. Do conjunto de filmes faz parte "O Primeiro Dia", longa-metragem de Daniela Thomas e Walter Salles. A série inclui ainda trabalhos de diretores como o norte-americano Hal Hartley ("The Book of Life"), do belga Alain Berliner ("The Wall") e do canadense Don McKellar ("The last Night"), entre outros.
No caso de um evento dessa dimensão, cabe apenas fazer algumas indicações pontuais. Uma delas é para o alemão "Corra, Lola, Corra", um criativo exercício sobre o tempo assinado por Tom Tykwer. A outra vai para "Cos Ridevano" (Assim Ríamos, em tradução literal), de Gianni Amelio, vencedor do Festival de Veneza do ano passado. O filme é uma emocionante releitura da migração interna italiana, já feita anteriormente nos anos 60 com o clássico "Rocco e Seus Irmãos", de Luchino Visconti. Amelio procura, mais uma vez, analisar um antigo problema estrutural do país, o abismo econômico entre norte e sul. O distribuidor do filme no Brasil, André Sturm, diz que está providenciando o envio da cópia em regime de urgência. Segundo ele, houve um atraso causado pelas férias coletivas que paralisam a Itália durante o mês de agosto.

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