FESTIVAL Diversidade marca o Filo 2003
PUBLICAÇÃO
sábado, 31 de maio de 2003
Jackeline Seglin<br> Reportagem Local 
Final da maratona de 23 dias de espetáculos no Festival Internacional de Londrina (Filo). A Verve Cia. de Dança, de Campo Mourão, foi a escolhida para encerrar em grande estilo o festival, em única apresentação ontem à noite, no Ouro Verde.
Foram mais de 60 apresentações de espetáculos de 15 grupos internacionais (11 países), 14 nacionais e 12 locais, além de oito shows no Cabaré e 15 Projetos de Maio. A programação incluiu ainda o Encontro e Assembléia Ordinária da Rede Cultural do Mercosul, a realização de uma oficina de dramaturgia e lançamento de livros.
Com uma programação artística que criava®MDBO¯ ®MDNM¯expectativas, o Filo fecha sua 36 edição com um saldo de qualidade. Dos 41 espetáculos, o público teve a oportunidade de assistir a montagens que, se não encantaram, pelo menos apontaram para sérias tentativas.
Em todo caso, os espectadores do Filo 2003 vão guardar por um bom tempo na memória espetáculos como ''Re: Frankenstein'', do grupo holandês Stuffed Puppet Theatre (o ator/manipulador Neville Tranter mostrou mais uma vez porque é considerado o mago dos bonecos); ''Bambi Os Anos Selvagens'', do Green Ginger (País de Gales), e ''Sevé'', dos mineiros da Zero Cia. de Bonecos. Aliás, as três atrações de bonecos do festival.
''Anjo Duro'', de Luiz Valcazaras, mostrou a magnífica interpretação da atriz Berta Zemel no papel da psiquiatra Nise da Silveira, emocionando a platéia do Núcleo I. Outro trabalho que rendeu elogios no festival foi o dos portugueses da Companhia do Chapitô, com uma releitura inusitada do clássico ''Dom Quixote''.
A Armazém Companhia de Teatro retornou a Londrina com o novo espetáculo, ''Pessoas Invisíveis'', reafirmando a qualidade de um trabalho que já tem um público fiel e que lotou o Ouro Verde na única apresentação do grupo, hoje radicado no Rio de Janeiro. Também vale ressaltar as atuações da Companhia Teatral do Movimento (RJ), com ''Fluxo''; do grupo Zanguango Teatro, da Espanha, com ''Pan con Pan'', e da Cia. Carona de Teatro (SC) em ''Os Camaradas''.
Entre os clowns, a francesa Laura Herz, em ''Won Woman Show'', protagonizou divertidos momentos no Teatro Zaqueu de Melo. Dos espetáculos de dança, ''Just Another Landscape for Some Jukebox Money'', do Les Ballets C. de la B., da Bélgica, impressionou o público pela expressividade dos movimentos a partir de uma temática que pontua sentimentos, a inquietação e os anseios da juventude.
Bons momentos também foram proporcionados na instalação ''Portraits Dansés'', concebida pelo francês Phillipe Jamet, com o intuito de levar os espectadores a uma viagem a outras culturas, através de fotos, vídeos e da dança.
Já a esperada superprodução ''www.sandman.nl'', do Lunatics, causou impacto pelo visual, mas deixou o público inquieto pelo tom repetitivo e pela incompreensão do tema proposto. Mesmo assim, encenada ao ar livre, atraiu o maior público entre os espetáculos do festival, com mais de duas mil pessoas em cada um dos três dias de apresentação.


