Carlos Eduardo Lourenço Jorge
Especial para a Folha 2
O Conselho de Administração da Bienal de Veneza anunciou que o tradicional troféu ‘‘Leone D’Oro alla Carriera’’ deste ano vai para o ator, roteirista, produtor e diretor norte-americano Jerry Lewis. O prêmio, concedido todos os anos a uma personalidade do cinema mundial, será entregue a Lewis na primeira noite do festival, durante a cerimônia de abertura. A 56ª Mostra de Arte Cinematográfica de Veneza começa dia 1º e termina dia 11 de setembro.
A proposta de homenagear Jerry Lewis partiu do novo curador do festival, Alberto Barbera, que substituiu Felice Laudadio, demitido ano passado. A premiação, justíssima, reconhece uma figura-chave na história da comédia americana e internacional. Elemento de ligação entre a comicidade clássica e a moderna, Lewis introduziu aspectos surreais inéditos sempre ligados a um discurso crítico sobre a sociedade americana contemporânea. Durante a mostra será exibido ‘‘The Bellboy’’ (O Mensageiro), de 1960, estréia de Jerry Lewis na direção. Uma cópia em cinemascope do filme será fornecida pelo comediante.
Dois nomes capitais da história do cinema também recebem em Veneza o tributo do festival. Caberá a ‘‘Eyes Wide Shut’’ (De Olhos Bem Fechados), obra póstuma de Stanley Kubrick , abrir hors concours e em primeira exibição européia a programação oficial. Os atores Tom Cruise e Nicole Kidman, a viúva Christine e as filhas de Kubrick são presenças confirmadas na solenidade de abertura no Lido de Veneza. O filme de Kubrick tem lançamento no Brasil previsto para 3 de setembro. Quem também recebe honras de imortal é Akira Kurosawa, falecido há exatamente um ano, por coincidência durante a mesma mostra que o projetou para o mundo ocidental em 51 com ‘‘Rashomon’’. Para a homenagem, o festival convidou o filme ainda inédito ‘‘Ame Agaru’’ (Depois da Chuva), dirigido por Takashi Koizumi, e interpretado por Shiro Mifune, filho do ator Toshiro Mifune, também já morto e ator fetiche do mestre de ‘‘Dodeska-den’’ e ‘‘Derzu Uzala’’.
E como já se tornou tradição, Woody Allen comparece em premiere mundial e fora de concurso com seu trabalho mais recente, ‘‘Sweet Lowdown’’. Uma Thurman e Sean Penn encabeçam o elenco. Como de hábito, o diretor não será visto ou entrevistado, preferindo a doce clausura do Hotel Cipriani, seu refúgio de sempre na ilha da Giudecca. Martin Scorsese, que tem muito mais prestígio e status na Europa, é o convidado para a noite de encerramento, quando será exibida sua co-produção ítalo-americana ‘‘Il Dolce Cinema’’.
O Brasil mais uma vez está fora da competição oficial de longas-metragens. O filme de Julio Bressane foi convidado apenas para uma das seções – longa em celulóide – da mostra paralela ‘‘Nuovi Territori’’. Dentro dessa mesma manifestação, mas inscrito como curta em celulóide, o organizador da Mostra Internacional de São Paulo, Leon Cakoff, e a mulher dele, Renata de Almeida, seguem para Veneza com ‘‘Volte Sempre, Abbas!’’, documentário-homenagem ao cinema iraniano e seu mais conhecido representante, Abbas Kiarostami, que a propósito está na mostra competitiva com ‘‘Le Vent Nous Emportera’’.
-A Folha de Londrina/Folha do Paraná vai acompanhar o dia-a-dia do Festival de Veneza, com uma cobertura especial, a partir de 1º de setembroMostra, que começa em 1º de setembro, também vai prestar tributo a Kubrick e Kurosawa
ReproduçãoJerry Lewis: troféu ‘‘Leone D’Oro alla Carriera’’ReproduçãoStanley Kubrick: obra póstuma abre a programação oficialReproduçãoAkira Kurosawa: homenagem, um ano após sua morte

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