Festival de Veneza começa hoje
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terça-feira, 30 de agosto de 2011
Luiz Zanin Oricchio<BR>Agência Estado 
Veneza - Antes de ver os filmes não dá para saber se Veneza, que começa hoje com Tudo pelo Poder, de George Clooney, conseguirá superar a magnífica safra do seu rival, Cannes, que apresentou duas obras-primas em concurso, A Árvore da Vida, de Terrence Malick, e Melancolia, de Lars von Trier. Mas que a 68ªmostra veneziana, a mais antiga do mundo, promete, isso ninguém há de negar. Pelo menos é o que se pode deduzir pelos nomes respeitáveis que trazem seus novos filmes para o Lido.
Entre os mais notórios, podem-se citar David Cronenberg com A Dangerous Method, Abel Ferrara com 4:44 Last Day on Earth, William Friedkin com Killer Joe, Philippe Garrel, com Un Été Brulant, Roman Polanski com Carnage, Aleksander Sokurov com Faust. Todos eles conhecidíssimos, ou premiados e membros do panteão do cinema de autor no mundo. Que mais Veneza poderia querer?
Talvez uma seleção italiana forte, mas aí talvez fosse pedir demais, pelo menos se levando em conta o que se tem visto nos últimos anos. Em falta de nomes fortes no presente, o cinema italiano se lembra de grifes do passado - como é o caso do grande Marco Bellocchio, que recebe um Leão de Ouro pela carreira das mãos de outro cineasta de mesmo porte, Bernardo Bertolucci.
No mais, a seleção de Veneza-68 apresenta o padrão clássico imposto pelo diretor da mostra Marco Muller desde que assumiu o cargo em 2004: ao lado da predominância europeia (afinal, trata-se de um festival europeu), Veneza terá muitos norte-americanos e muitos asiáticos.
Os primeiros são tidos como fundamentais a qualquer festival, pois fornecem a indispensável aura hollywoodiana, mesmo que venham sob a forma do cinema independente. Os segundos fazem parte da cota particular do diretor, sinólogo de formação e apaixonado pelas coisas do Oriente.
Muller sabe também que sua receita de cinéfilo deve ser administrada em conta-gotas - e ao longo de todo o festival. Para abrir o evento, escolheu nome e rosto dos mais conhecidos: George Clooney, amado na Itália, que revela, mais uma vez, sua faceta de diretor com Tudo pelo Poder. O filme é densamente político, pois ambienta-se no frenesi das eleições primárias em Ohio. Traz consigo uma penca de astros do cinema independente como Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti e Marisa Tomei.
A presença do astro americano não será a única atração da passarela do Lido. Vários outros lá estarão, garantindo ao festival a visibilidade midiática que os patrocinadores exigem.
Nessa condição, uma das presenças mais esperadas do Lido será a popstar Madonna, que apresenta seu filme W. E., sobre os amores do rei Edward VIII e a divorciada americana Wallis Simpson. No caso de Madonna, o filme é o de menos. Se for bom, ótimo. Se não for, paciência. Ela vindo, tudo resolvido.
O Brasil participa do Festival de Veneza com dois longas-metragens: Girimunho, de Clarissa Campolina e Helvécio Marins, de Minas Gerais, na mostra Horizontes, e Histórias Que Só Existem Quando Contadas, de Julia Murat, nas Jornadas dos Autores (Giornate degli Autori). Ambas são mostras paralelas.


