Festival de todos
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sexta-feira, 21 de julho de 2017
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 

Após cinco anos sem o Cine Teatro Ouro Verde - um dos principais espaços culturais da cidade - por causa do incêndio que devastou sua estrutura, o 37º (FIML) Festival Internacional de Música de Londrina foi o grande evento que deu o pontapé inicial na programação do local após a reinauguração. Desde a abertura do festival, todas as noites o teatro abrigou concertos com formações orquestrais, solistas, bandas sinfônicas, cameratas, grupos de percussão e espetáculos populares.
"A situação pela qual passou o Ouro Verde foi muito dramática para o festival e para toda a cidade. Importante dizer que a Catedral de Londrina supriu essa carência de espaço com muita qualidade. Mas voltar a ocupar o Ouro Verde com concertos importantes mexeu com todos, motivou ainda mais nosso público a comparecer e muitos outros que vieram conhecer o novo teatro. Encerrar com Carmina Burana, obra de grande apelo, vai ser marcante", diz Marco Antonio de Almeida, diretor artístico do festival.

Com preços populares (o mais caro custou R$ 40), o diretor ressalta ainda a quantidade de concertos gratuitos realizados ao público que ampliam a possibilidade de acesso à música. "Ao longo dos últimos anos, o festival fortaleceu a característica de se aproximar da comunidade e ir até a comunidade. Nesta edição, foram várias intervenções urbanas com diversas apresentações nas ruas e locais abertos, projetos de inclusão em grupos da terceira idade, oficinas que foram até os bairros mais afastados, o projeto Música sobre Rodas no transporte público, entre outros. Como diz a música de Milton Nascimento: 'todo artista tem de ir aonde o povo está'. Realizamos uma programação variada que contemplou do erudito ao popular com o mesmo nível."

Formação
Como parte integrante de democratização da música nos últimos anos, o festival também aumentou a participação de bolsistas na Orquestra Comunitária, formada por alunos de projetos sociais brasileiros como Guri (SP), Neojiba (BA) e Favela do Alemão (RJ), destaca Magali Kleber, diretora pedagógica do FIML. Este ano, foram 70 bolsistas no total. "Com isso, o festival reforça o caráter educacional e de formação do aluno. Existem muitos projetos sociais pelo Brasil fazendo um trabalho extraordinário, e oportunizar aos bolsistas a possibilidade de participarem da Orquestra Comunitária é a demonstração do compromisso ético pautado em políticas públicas do festival." Além das oficinas, os alunos realizaram vários concertos tendo como base os músicos da Osuel (Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina).

Nessa proposta pedagógica, que a diretora classifica como interinstitucionalidade e intergeracional, a formação cidadã é que está em foco. "A música no século 21 é parte integrante no desenvolvimento do ser humano, além de ser uma potência que abre novas possibilidades para a transformação social. Estamos nesse caminho e queremos fortalecer e ampliar ainda mais a inclusão de novos grupos para os próximos anos. Tanto os jovens que vêm ao festival, quanto aqueles que recebem o festival em sua comunidade, são futuros parceiros e multiplicadores em potencial para a formação de uma grande rede a partir do que é feito aqui e em outras instituições", sintetiza.









