Curitiba - ''Tem ator da Globo?'' Essa é a principal frase ouvida pelos atendentes da bilheteria do Festival de Teatro de Curitiba (FTC), que acontece entre 22 de março e 1º de abril. Os ingressos já estão à venda e os favoritos dessa edição começam a aparecer.
Por enquanto, as montagens mais procuradas são a produção carioca ''A hora e a vez de Augusto Matraga'', com Vladimir Brichta no elenco; ''Essa nossa juventude', com Caio Blat, Cauã Reymond e a curitibana Simone Spoladore e ''Thom Pain - Lady Grey'', com o também global (e curitibano) Guilherme Weber.
Não por acaso, as três favoritas do público tem atores conhecidos no elenco. Quem trabalha na bilheteria, não pode indicar peças, mas precisa responder a principal pergunta de quem já está garantindo os ingressos para o festival.
O resultado é que as peças com globais são as primeiras a terem as entradas esgotadas. ''Mas de um modo geral, as peças da Mostra Oficial vendem mais. Quem não conhece muito de teatro só quer ver ator global. Por isso, antes de começar a trabalhar eu já anoto todas as que tem elenco conhecido'', revela Saulo Meduna, de 21 anos, que pela segunda vez trabalha na bilheteria do festival. ''Nada de esquisito aconteceu nesse tempo, mas o que eu acho mais estranho é justamente as pessoas procurarem apenas atores globais'', conta.
A estudante de Direito e de Artes Cênicas Keeity Braga Collodel, de 20 anos, se justifica: ''Eu não estou escolhendo apenas atores mais conhecidos, mas tomando por base o que escuto falar ou leio sobre a produção. Para mim isso é mais importante'', declara.
Ela e a amiga, também estudante de Direito, Cassiana Rufato Cardoso já garantiram a presença em dois espetáculos da Mostra Oficial: ''A Hora e a Vez de Augusto Matraga'' e ''Os dois cavalheiros de Verona''. ''Eu queria ver o Vladimir Brichta porque me disseram que ele interpreta drama muito bem'', diz. O outro espetáculo foi escolhido por causa do trabalho da companhia Nós do Morro e por ser uma peça de Shakespeare.
Por causa do preço, as amigas só compraram ingressos para duas peças, mas já estão se organizando para ver as atrações gratuitas do FTC e também o Fringe, que tem ingressos mais baratos. ''Mas daí deixamos pra última hora mesmo'', diz Cassiana.
Escolher o que assistir no FTC não é mesmo tarefa fácil. São mais de 200 montagens na programação, com espetáculos para todos os gostos e bolsos. ''Mas é natural para quem não tem o hábito da cultura procurar espetáculos com gente conhecida por trabalhos na televisão'', analisa o produtor e ator Áldice Lopes. ''As pessoas querem ver a personalidade, não a montagem em si''.
Com mais de 20 anos de experiência no teatro, o ator dá a dica para quem está na dúvida sobre o que assistir: ''É importante saber sobre o autor e sobre a direção. Eu também escolheria de olhos fechados, grupos que já são consagrados no cenário nacional'', ensina.
A produtora Márcia Moraes, da Cia Senhas de Teatro, também opta por companhias que tem um trabalho de continuidade e pesquisa na hora de escolher o que ver. ''Geralmente são propostas elaboradas, com mais tempo de criação'', comenta, numa alusão ao ''efeito festival'' muito comum nessa época do ano.
São espetáculos que são criados apenas para o evento por grupos que não investem na pesquisa teatral. Mas como o público vai saber disso? A escolha é sempre um desafio.

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