O começo de uma jam session é possível imaginar, mas ninguém sabe aonde vai dar. Uma dessas sessões de improvisos que reuniu, em 2002, músicos londrinenses e o saxofonista dinamarquês Hans Kobbero, técnico do mundialmente conhecido grupo de teatro Odin Teatret, vai parar pela terceira vez na Dinamarca.
O primeiro contato de Kobbero com a música londrinense foi em 1999, quando o Odin apresentou o espetáculo ''Mythos'', no Festival Internacional de Londrina (Filo).
Depois disso, o dinamarquês já morou na cidade, foi embora, voltou com a peça ''O Sonho de Andersen'' e, novamente está de volta, preparando a terceira turnê do Soul Brasil.
''Tudo começou numa jam session em 2002, no apartamento do André Gião, que integra pela terceira vez a banda. Alguém disse que poderíamos tocar na Dinamarca e todo mundo topou a ideia. Começamos a ensaiar e preparar o repertório, mas somente conseguimos embarcar em 2004. O primeiro elenco tinha 11 pessoas, que se apresentaram em 22 cidades. Em 2006 conseguimos levar seis músicos para 20 shows. Agora vamos com nove integrantes na banda'', conta Kobbero.
A primeira viagem contou com apoio financeiro da Embaixada do Brasil na Dinamarca, da Prefeitura de Londrina e alguns shows vendidos por Kobbero. A terceira turnê já embarca totalmente vendida para o festival, que passará por 10 cidades com menos de 1 mil habitantes e pouco acesso à cultura.
Um trem antigo foi restaurado para servir de transporte e alojamento entre as cidades para os músicos londrinenses e outros artistas que se apresentarão no festival.
Embarcam nessa viagem Gisele Silva (voz); Murilo Barbosa (piano); Filipe Barthem (baixo), André Gião (guitarra e cavaco); Thales Lemos (bateria); Duda de Souza (percussão); Alexandre Malagutti (percussão); Gilberto Queiroz (trombone) e Hans Kobbero (sax).
Na bagagem, os londrinenses levam um repertório diversificado que inclui '''Água de Beber'' (Tom Jobim); ''É Isso Aí'' (Ana Carolina); a ''Olhos Coloridos'' (Sandra de Sá) e ''Brejo da Cruz'' (Chico Buarque).
''Estou indo a todas as edições do Soul Brasil. Todo mundo que participa toca com muita gente ao mesmo tempo e tem várias influências. Na primeira vez levamos um grupo grande de metais e a onda do funk. O público gostou bastante da nossa música. Na segunda edição, a seleção musical foi um pouco diferente, só tínhamos o Hans nos metais, mas os dinamarqueses se surprenderam bastante ao conhecer instrumentos como cuíca e berimbau'', conta João Gião.
O músico destaca que o projeto Soul Brasil é um passaparte para outras incursões internacionais.
''O próprio Filipe Barthem tem uma experiência internacional, passando duas semanas na Suíça, depois de participar do Soul Brasil. A gente acaba voltando a alguns dos lugares. Isso é muito importante para a carreira'', acrescenta Gião. Depois do encerramento do festival, os londrinenses permanecem na Dinamarca mais uma semana.

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