São Paulo, 19 (AE) - Idealizador do Festival de Música Nova, o compositor santista Gilberto Mendes já apelidou a 35.ª edição do evento de "Flemish Connection". De fato, o festival, que reúne grandes nomes da música contemporânea, conseguiu este ano o apoio total da Bélgica, que não só enviou compositores como conceituados músicos daquele país. A partir de sábado, até o dia 29, o mais importante evento de música experimental do Brasil vai ter várias estréias mundiais de peças de autores como o belga Buckinx e o brasileiro Willy Corrêa de Oliveira, cuja mais recente obra, "A Truta e o Peixe-Boi", vai ser interpretada pelo Spectra Ensemble, da Bélgica, na segunda-feira
no Teatro Municipal de Santos.
O festival, que tem apoio do Instituto Cultural Itaú, vai ocupar várias salas de São Paulo, Santos e Ribeirão Preto. A "conexão flamenga" vai promover algumas estréias brasileiras, entre elas a da peça "Fles", composta há cinco anos por Boudewijn Buckinx, colaborador de Stockhausen que trabalha para a Radiodifusão Flamenga e adora música brasileira. Buckinx estudou música eletrônica em Gent, um porto belga que recebe 80% dos produtos exportados pelo Porto de Santos, o que também ajuda a conexão entre os dois países. Tanto que as autoridades portuárias de Gent estão colaborando com o festival brasileiro e um editor da cidade, Alain van Kerckhoven, vai publicar algumas obras de Gilberto Mendes.
"Os belgas estão abrindo as portas da Europa para a música contemporânea brasileira", conta Gilberto Mendes, que também terá uma estréia mundial no festival, "Viva Villa II", obra minimalista que retrabalha um trecho da abertura de "A Lenda do Caboclo", de Villa-Lobos. O intérprete da obra, no dia 28, será o pianista brasileiro Caio Pagano, que mora no Arizona. A reitora da universidade americana onde Pagano dá aulas, Tonie-Marie Montgomery, é uma das convidadas do festival e vai falar sobre compositores negros de música contemporânea.
Idealizado por Gilberto Mendes e compositores experimentais com base no manifesto Música Nova, de 1963, o festival tem recebido apoio do Itaú, mas ainda enfrenta dificuldades. Com a ajuda financeira da entidade e da prefeitura de Santos, o festival não conseguiu juntar R$ 100 mil. "Não dá para aceitar projetos caros que envolvam muitos músicos", diz Mendes. De qualquer forma, a Sinfônica do Estado vai participar interpretando peças inéditas de Olivier Toni, Rubens Ricciardi e o mexicano Silvestre Revueltas.

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