Festival de Música lança sementes
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quarta-feira, 03 de julho de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Um concerto da Orquestra Sinfônica do Paraná abre, no próximo sábado, o 22º Festival de Música de Londrina. Sem contar com o palco do Cine Teatro Ouro Verde, fechado para reformas, a maioria das apresentações noturnas desta edição será realizada no Teatro Marista.
O concerto inaugural começa às 20h30 sob regência de Alessandro Sangiorgi. O Festival prossegue até o dia 20. Além dos concertos, o evento reunirá cursos, oficinas, palestras e simpósios. A programação oficial foi lançada ontem durante uma entrevista coletiva da qual participaram Norton Morozowicz (diretor artístico), Magali Kléber (diretora pedagógica), Solange Cristina Batigliana (assessora pedagógica) e Vitor Gorni (assessor artístico).
''Esta será uma das melhores edições dos últimos anos'' afirmou Morozowicz. ''Ao contrário do que vinha ocorrendo nos festivais recentes, pudemos planejar tudo com antecedência, sem atropelos por causa de incertezas orçamentárias. Desta vez, todas as instituições promotoras nos apoiaram''.
Orçado em R$ 555 mil, o FML de 2002 norteia-se pela diversidade rítmica abrangendo os mais variados gêneros musicais, com ênfase nos sotaques brasileiros. Entre os destaques da programação figuram o Quinteto de Sopros Arcane, da Bélgica; os violonistas Yamandú Costa e Turíbio Santos; o saxofonista francês Idris Boudrou e seu quinteto de jazz; o Trio Images; o cantor Pery Ribeiro; o Quinteto de Metais de São Paulo; e o grupo Lactomia de Percussão, de Salvador.
Além do Teatro Marista, serão ocupados o Teatro Com-Tour, o Londrina Country Club, o Teatro Zaqueu de Melo, o Anfiteatro do Zerão, o circo Funcart, as praças públicas, a Concha Acústica e o Calçadão. Mas a programação não se limitará à região central da cidade, descentralizando-se para bairros da periferia abrangendo assentamentos e o distrito de Lerroville. O Festival terá ainda extensões em Ibiporã, Cambé, Apucarana e Maringá.
O bloco pedagógico do evento deu um salto no número de inscritos. ''Batemos um recorde com 1.270 alunos em 84 cursos'' assinalou Magali Kléber. Desse número, 470 inscritos são de outras cidades incluindo estudantes do Amapá, Rio Grande do Sul e até da África do Sul. A preocupação com as camadas excluídas da população, reforçada nesta edição, propiciou a realização de dois projetos em parceria com a Rede da Cidadania da Secretaria Municipal de Cultura.
Um deles, o Coro Infantil, bateu outro recorde histórico no Festival com 400 participantes. ''Este projeto foi desenvolvido junto a escolas da rede pública e pode ser visto como uma semente de formação musical'' salientou Solange Batigliani. O outro projeto, também voltado para jovens carentes, será comandado por 20 iniciados que terão a missão de gerar multiplicadores na área de percussão.
A parte reflexiva-educacional do FML será contemplada no VII Simpósio Paranaense de Educação Musical e no V Encontro Regional-Sul da Associação Musical (ABEM). Outro destaque será uma Mesa Redonda sobre Produção Cultural e Políticas Públicas na Área de Cultura, que contará com as presenças de Tereza Cristina Azevedo de Oliveira (coordenadora da Secretaria de Música e Artes Cênicas do MinC), Glacy Antunes de Oliveira (UFG), Edson Natale (Fundação Itaú Cultural) e Valdir Grandini (Incubadora de Projetos da Secretaria Municipal de Cultura).
Um dos pontos altos da programação será o II Encontro Suzuki, que busca congregar alunos e professores adeptos do Método por meio da prática da música em conjunto. Outro destaque será a montagem do espetáculo ''Ópera do Malandro'', de Chico Buarque, dando continuidade à série iniciada no ano passado com a peça ''Calabar'', também de Chico. Chamam a atenção também as oficinas de harmonia (a cargo de Ricardo Rezek), Percepção Musical (com Mário Loureiro) e Laboratório em Captação de Áudio (coodernada por Pedro Franciscon).
Na parte de teoria musical, o norte-americano Michael Budds ministrará o curso ''Emergência do Rock and Roll e sua Evolução nas décadas de 50 e 60''. Uma das curiosidades da programação está reservada para o Anfiteatro do Zerão, quando o secretário de Cultura Bernardo Pellegrini mostrará canções de sua própria lavra ao violão. Será, salvo engano, a primeira vez que um ocupante de tal pasta transforma-se em atração num festival do gênero.


