Festival de Música discute globalização
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de abril de 1999
Érika Pelegrino 
O Festival de Música de Londrina deste ano abre uma discussão sobre o multiculturalismo decorrente do processo de globalização. A intenção é iniciar uma reflexão a respeito da diversidade e da identidade cultural.
Com a globalização estamos vivendo a hegemonização da cultura. Alguns valores estão ficando desagregados pelo bombardeio de informação decorrente do desenvolvimento tecnológico. Neste processo, muitos referenciais estão carentes de uma maior delimitação, afirma a diretora pedagógica do FML, Magali Kleber.
Para discutir estas questões alguns nomes nacionais e internacionais envolvidos com a pesquisa cultural foram convidados para o evento. Entre eles estão o etno-musicólogo brasileiro Gerard Behague; o educador e compositor que trabalha com ecologia sonora Murray Schaffer e Ricardo Takuchian, que trabalha com composição e análise.
Abrir esta discussão é uma forma de nos comprometermos um pouco com este momento, afirma Magali Kleber. Estamos vivendo um período frágil, significativo para o mundo todo, complementa. O festival continua trabalhando a integração das atividades artística e pedagógica, que o tem caracterizado.
Na programação artística, a Música Brasileira será privilegiada por intermédio de cursos, apresentações e, em especial, através de uma homenagem ao aniversário de cinco anos de morte do maestro Antônio Carlos Jobim.
Os eventos artísticos, segundo Magali Kleber, visam a realização de apresentações de qualidade, que possam estabelecer parâmetros para jovens músicos; educar e aumentar o público ouvinte e proporcionar uma vivência estética para os participantes e a comunidade.
A programação pedagógica vai contemplar as áreas de práticas interpretativas - música erudita e popular, educação musical, teoria da música e música e tecnologia. A formação dos músicos continuará a receber ênfase durante o evento, através de aulas e master classes com reconhecidos músicos-professores nacionais e internacionais e das apresentações de alunos e professores.
Acompanhando o momento em que as Leis de Diretrizes Básicas estão para ser implementadas, o evento dá continuidade ao trabalho iniciado em 98, que visa a capacitação de professores da rede pública. O objetivo é tornar estes profissionais aptos para trabalhar com os conteúdos musicais propostos nos parâmetros curriculares nacionais, explica Magali Kleber.
Uma das novidades da edição 99 do evento é o Concurso Jovens Solistas de sopro, cordas e piano, cuja premiação será uma apresentação como solista junto à Orquestra Sinfônica da UEL.
As atividades didáticas constituem-se de cursos e master classes para instrumentos de cordas, sopros, percussão, piano, violão e canto, música de câmara, regência coral, prática coral adulto e infantil, prática de orquestra, música popular, análise, composição, harmonia, percepção, criação musical, música e informática, música aplicada, laboratório de gravação, edição e masterização, apreciação musical para leigos e história da música brasileira.
O Festival de Música de Londrina de 1999 será realizado de 3 a 15 de julho. Na última quarta-feira a comissão diretora do evento entregou ao prefeito Antonio Belinati o projeto do festival.


